Aqui não é a terra do nosso senhor

Olbiano Silveira
Jul 24, 2017 · 2 min read

Somos, infelizmente, o inverso do que propala Ari Barroso em sua aquarela. Aqui se troca o certo pelo errado e vice-versa, rotineiramente.

Nossa justiça pode ser comparada a qualquer coisa surreal, menos a uma instituição incumbida de fazer justiça, pois incorre com frequência em decisões absurdas, em especial as mais relevantes. Isto, sem tirar nem pôr.

Alguns exemplos dos pecados capitais cometidos a cada minuto pelos nossos julgadores de todas as instâncias: prendem-se negros e pobres, e pobres-negros, e liberam-se os ricos brancos, delinquentes ou não; Condenam-se os drogados e presenteiam-se com a liberdade os grandes traficantes; ordenam o internamento nas masmorras dos autores de furtos famélicos e premiam com impunidade os ladrões maiores;

Nossos mais brilhantes juízes de primeiro grau e desembargadores sentenciam contra homossexuais, favorecem seus algozes. Se os gays forem negros-pobres ou pobres-negros, reservam-lhes os castigos maiores, negando-lhes sempre o benefício da “in dubio pro réu".

Os códigos, verdadeiros poços de ambiguidade, servem por isso mesmo para dar guarida a canalhas de variados tipos, em especial aos corruptos e corruptores mais nocivos à sociedade.

Quem tá ligado nas coisas desse hospício que insistimos habitar, deve ter lido a pérola publicada no Globo de hoje: “tribunal solta filho de desembargadora preso com 130 quilos de maconha, arma e munições. Contra ele havia dois mandados de prisão, suspensos pela justiça do Mato Grosso.

Não é de admirar. Coisa corriqueira em nossos tribunais. Há coisas ainda mais esdrúxulas, diuturnamente em todos os graus do judiciário. Se conversarmos sobre outros territórios da vida brasileira-encontraremos hábitos do arco das velha e de todos os arcos deteriorados. Falei?