Esse cara tem nos consumido

Como que em ato premonitório, Caetano compôs o texto na medida exata para esse cara sem vergonha que nos perturba à exaustão. Esse cara — amigo íntimo de Eduardo Campos, de Padilha, de Jucá, de Moreira Franco, de Aécio, dos irmãos Friboi e outros dessa escrachada confraria — tem nos causado desgosto e indignação a cada instante. Por incontáveis razões. Pra começar, ele não está na nossa vida por acaso ou menos ainda porque a galera goste da sua insalubre presença. Está porque as forças reacionárias (grupos econômicos super poderosos) aliadas a um legislativo canalha, submisso, fisiológico, corrupto, armaram uma cilada e, a fórceps, puseram-no lá para acunhar tantos milhões de homens e mulheres que estariam vivendo bem melhor sem ele. Cometeu-se um estupro para gerar um bastardo.

Não dá pra ver nele, com nitidez, olhos de bandido. Mas suas atitudes não lhe escondem o caráter obtuso. Dele nada se pode esperar, a não ser o desmonte do que ainda resta de mais ou menos, e a implantação de medidas caóticas como as reformas em curso. As expectativas são funestas porque não faz sentido esperar bom comportamento de quem tem mostrado exemplos desabonadores, inaceitáveis, condenáveis a qualquer cidadão, tenha ele ou não a responsabilidade de gerir os destinos de uma província ou de uma grande nação.

Ele tem nos consumido não só por prática de corrupção escancarada, mas por muitos atos e atitudes só adequadas aos fora da lei. Entre os muitos atos indignos, do conhecimento de todo povo brasileiro, ele poderia ter nos poupado de saber e ouvir sobre crimes que cometeu em apenas uma hora de conversa com um empresário/ladrão, chantagista, corrupto e corruptor. Não quero repetir o listão de seus atos criminosos porque todos estamos cansados de histórias sórdidas.

O que mais nos vem consumindo nos últimos longos meses é a carga de cinismo com que revela suas trapalhadas. Ele nos agride, também moralmente, nos três turnos; é a repetição, hora a hora, de gestos indecentes, de compra ostensiva de votos de congressistas hatituados a suborno. Para se salvar da denúncia de corrupção passiva e obstrução da justiça, ele vem afundando mais o país. Comporta-se como se estivesse executando tarefas honestas, sérias, e todos assistem a um espetáculo indecoroso, destinado a objetivos torpes. Gostaríamos que ele fosse capaz de uma boa ação. Acontece precisamente o contrário.

Se o congresso, a troco de afagos financeiros, se render, decidindo pela sua permanência até dezembro de 2018, pode rolar algum bagulho diferente, bem além do nosso conformismo atávico.

É esta, pois, a encruzilhada em que chegamos. Como sair e para onde vamos é difícil ter uma ideia porque os ilegítimos condutores da quase anarquia em que nos enfiaram não merecem um só vintém de confiança. Parte deles por estarem farejando o erário público; outra parte, como inocentes úteis (inúteis, no caso), embriagados com cachaça do refugo do melaço.