Olbiano Silveira
Jul 20, 2017 · 2 min read

NO CASTIGO

DO MOLUSCO

FALTOU O JEJUM

Uma omissão imperdoável do justiceiro Sérgio Moro: não incluiu na condenação do sapo barbudo o sacrifício do jejum forçado. Talvez tenha atentado para o fato de que ele, o réu, não tendo nenhum bem à disposição e os saldos bancários bloqueados, o jejum será tão somente consequência. A não ser que o molusco saia pedindo uma ajudinha aos conhecidos.

Se o jejum constasse da sentença o efeito almejado pelo julgador viria inapelavelmente. Os amigos, conhecidos e parentes do condenado ficariam proibidos de fornecer-lhe alimentos e, assim, acabariam satisfeitos os desejos do justiceiro de Curitiba.

Todos, ou quase, elogiam a bela decisão de Moro, com ressalva apenas de não prever o jejum compulsório. Há também os que se frustraram com a modesta pena, que poderia contemplar 35/40 anos. Por baixo. O magistrado executou seus amplos poderes ao pé da letra (salvo alguma omissão insignificante, talvez). Visualizou os crimes de altíssimo poder ofensivo praticados pelo molusco e, provalmente por isso, a turba tenha julgado a sentença muito generosa. Para chegar às suas conclusões sobre os crimes e a alta periculosidade do meliante, tido por Barack Obama como "o cara", o justiceiro investigou bastante; ouviu uma horda de testemunhas e, finalmente, pelos - a seu juízo - robustos indícios, pelas suas conjecturas, conviccões e evidências que nem precisariam de provas, formou o convencimento consistente, suficiente para um decisório extenso, circunstanciado, convincente e, sobretudo, justo.

Pode-se aceitar a vontade do aplicador da lei como generosa com o réu.

Mas essa eventual falha na dosimetria da pena será corrigida com todo o rigor porque o justiceiro Moro ainda tem, sob sua voluntariedade, outros processos em que o molusco é acusado. E, muito provavelmente, nas próximas inquirições - há quem as considere inquisições - serão encontrados muitos atos de crueldade, de brutalidade, de delitos hediondos praticados pelo sapo barbudo, aquele que inventou um tal de fome zero, um bolsa família e outros penduricalhos para os que não tinham renda. E, se o justiceiro caminhar por esse libelo, preparem-se o meliante e seus eventuais seguidores (que as pesquisas identificam como muitos) para absorver em uma decisão severa, talvez do nível tailandês quando pune os traficantes de drogas. As leis e a justiça existem para essas coisas, mesmo. Ouvimos dizer, em todas as horas, que ninguém está acima da lei. E pode ser verdade. Com exceção de algumas autoridades constituídas e mais poderosas que os imperadores romanos. No mínimo.

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