TVs oficiais, uma fortuna pro lixo
Somos um país em processo de desmoronamento porque os escolhidos para a gestão do nosso patrimônio material e cultural nos tratam pelos critérios do seu poder pessoal de destruição ético-moral.
Trago um exemplo emblemático do que eles fazem com os recursos públicos sob sua guarda e responsabilidade. As verbas para manutenção da estrutura e equipamentos de apoio e execução dos programas culturais são, ordinariamente, insuficientes.
Até aqui cogitou-se apenas de uma área — a cultura — , tema ligado ao ponto central desta nossa conversa, pois é notória a situação de indigência que o país vem atravessando já há alguns anos. As dificuldades abrangem todos os setores, da infraestrutura até o custeio de atividades essenciais.
Pois, indiferentes a esse quadro desolador, quase falimentar, insensíveis à situação, os mandatários mais graduados dos três poderes gastam horrores com sistemas operacionais supérfluos em busca de visibilidade e promoção.
Reporto-me aos aparatos televisivos, onerosos porque verdadeiros cabides de emprego, para satisfação do nepotismo. A TV Câmara, a TV Senado, bem como a do Supremo Tribunal Federal, inexplicavelmente funcionam durante as 24 horas. As atividades dos três órgãos podem ser perfeitamente cobertas com poucas horas. Nas demais, opera-se programação irrelevante. Mais grave ainda para ampliar o desperdício de recursos é a constatação de baixíssima audiência em todas essas emissoras. Então, se são ridículos os índices de audiência, pra que tantos gastos e pra que funcionamento ininterrupto?
- É a esculhambação brasileira, caros amigos. Irreversível, parece.