Um boeing vazio a caminho da China

Creio não estar equivocado porque li o noticiário mais de uma vez: o jato presidencial, o antigo “Aerolula” e agora “Aero Vamp”, com espaço para acomodar 30 passageiros mais 12 tripulantes, decola amanhã para Pequim com o casal Michel/Marcela e mais ninguém (só a tripulação, claro). Além dos 42 lugares, o Aero Vamp tem uma baita suíte presidencial. Os trinta assentos de passageiros viajam na solidão, inteiramente disponíveis. Como somos gerenciados por irresponsáveis, pagaremos as despesas de outro avião pra levar a comitiva presidencial, que vai para o mesmo destino e lá se encontrarão. Pra ficar mais fácil de entender: o casal emplumado tem à disposição 30 assentos, mas o voo à China não permite ocupar mais que dois lugares.

Conclui-se que, pela vontade do chefe maior, agimos como ricos e perdulários. E, assim, jogamos ao lixo uma enxurrada de dinheiro que já não temos, como indigentes que nos tornamos nos últimos anos.

Uma cruel realidade que nos causa profunda indignação é viver como trouxas, sem sequer conseguirmos entender como, depois de tantos assaltos, ainda há dinheiro pra continuar enriquecendo ladrões; pagar mordomias e desperdícios. Há décadas não faz sentido falar na risível história do ouro de Moscou; vão-se bilhões todos os anos com os super salários e gastos supérfluos dos três podres poderes; outra montanha incalculável de grana percorre caminhos tortuosos e deságua nas contas bancárias dos artistas da corrupção. Enfim, passa a impressão de sermos proprietários de uma botija inesgotável (do tamanho de oito milhões e quinhentos mil campos de futebol…).

Mas só impressão.