Evolução
Saindo da Lancheria do Parque, me veio o estalo.
- Sabe...
- Diz.
- Sou seu fã.
- Como assim?
- É... eu acabo me encantando com a evolução que tivemos juntos. Especialmente a tua.
- Acho que tu vê mais em mim pois não permite se elogiar.
- Não, eu me vejo também. Ou melhor, me sinto.
- E como tu se sente?
- Me vejo como a gente fizesse as coisas com menos medo agora.
- Com menos medo...
- Sim, parece que a gente tem mais liberdade pra falar e fazer coisas pois estamos mais seguros.
- Sim, com certeza sinto isso.
- E parece que conseguimos enxergar mais longe.
- Eu me vejo muito longe contigo.
- Não, não é isso.
- Tu não se vê longe comigo?
- Não, não é isso o que quero explicar. Olha só. - Na hora, aponto pro prédio mais alto que vejo da calçada da Osvaldo Aranha. - É como se, ao teu lado, eu estivesse em cima daquele prédio e conseguisse ver toda a cidade, da Arena ao Guarujá, e tivesse consciência de onde estamos e em que época vivemos, e consigo ver que tu também sabe.
- Nunca me imaginei assim, na real.
- Não?
- Não. Na verdade, quando estou contigo, me sinto mais forte e equilibrada. Como agora.
- Que bom ouvir isso, mesmo. Mas o que te faz sentir assim?
- Porque é como se eu te erguesse até o alto pra tu ver tudo isso.
Neste momento, o semáforo fechou. No outro lado da rua, o assunto já era outro.
