Churrasco

Tive um sonho muito esquisito. Ele acontecia num simples churrasco em família.
Neste sonho, o tio que acompanha política, engajado com a sociedade, chega na laje muito contente, distribuindo camisetas e panfletos da última filial que ele abriu da sua lanchonete e só reclama que levou quase uma semana pra tudo ficar pronto.
O cunhado, jovem, cheio de energia, recém bacharel em direito, conta como foi estudar e se preparar para o difícil processo seletivo para trabalhar numa das 200 câmaras de arbitragem da cidade. Estagiário, vai começar de baixo e reconhece que não sabe nada da vida.
Enquanto bebo uma cachacinha, o primo do interior, muito simples, conta sobre o dinheiro que ele recebe graças as bolsas que ele compra na 25 de março e vende na sua cidade, com muito sucesso. Tá até pensando em voltar a estudar.
Abro o isopor e ninguém tinha levado um único fardo de Itaipava, só tinha cerveja puro malte. Como eu era o churrasqueiro, coloco para assar uns pedaços de queijo Canastra e uma paleta de cordeiro. Em nenhuma das embalagens tinha o selo “S.I.F. BRASIL Inspecionado”. E é exatamente na hora em que ia tirar uma lasca da perninha, acordo no sofá, com a TV chiando o Jornal Nacional.
