Vitória é a Chape
O futebol é dono de finas ironias. Como quando faz escapar, rodada após rodada, o próprio nome àquele que ostenta no escudo a grande glória do esporte.
Não vem sendo fácil ao Vitória carregar aquilo que tanto lhe foge. Frente à Chapecoense, jogando no estádio que tantas vezes foi caldeirão, o rubronegro baiano deu mostras de que é maiúscula a pressão pelo homônimo minúsculo.
Aos pés dos soteropolitanos, a bola queimou como o sol que obrigou os suplentes catarinenses a se protegerem sob um improvisado varal de toalhas.

Tanto ardia que escapou às mãos do goleiro Caíque, que acabou por abraçar o oponente, em um pênalti que tornava ainda mais difícil uma tarde/noite exitosa para o clube.

Era a pelota, aliás, mais inimiga do que a própria Chape. Rondava a meta com a sordidez de um salteador oportunista. E só não encontrava novamente as redes por milagres que iam sendo operados, possivelmente, por todos os santos da Bahia.
Os catarinenses, por sua vez, se não destilavam o garbo do bom futebol, pareciam nobéis da paz diante da tensão do adversário. Nem de longe deixavam à mostra ser um escrete sem o costume de festejar na casa anfitriã. Pelo contrário. Tão frios controlavam o jogo, que flechar o oponente em terreno alheio parecia mais comum do que o sucesso único de até então.
Virou-se o tempo. Viraram-se os lados. Teria, pois, virado a sorte? O pênalti para o time local explodiu esperança na torcida que empurrava na base da paixão sem motivo, do amor sem fundamento.
Não foram precisos, porém, mais que dois minutos para o índio mostrar que trouxera na mala a frieza do Sul para combater o calor nordestino. Um contra-ataque ferino refrigerou a festa. E o tempo, como o placar, seguiu congelado até o fim.

Vitória, hoje, foi lembrança que a Chapecoense levará consigo da terra do Senhor do Bonfim. Com justiça e mérito, registre-se.
Ao Vitória, de tantas alegrias à meia Bahia, resta a lástima de ser, hoje, um triste sinônimo de derrota.
