Pintura relâmpago

Do começo do ano até agora eu fiz algumas entrevistas focadas na evolução artística de pessoas que eu admiro muito, essa é uma tentativa de olhar o próximo e oferecer uma série de visões pessoais sobre o aprendizado peculiar da arte.

Acho que todas as entrevistas oferecem muito para quem está aprendendo ou quer aprender uma atividade artística — muitas respostas, inclusive, não se aplicam apenas ao desenho — e nessa escalada de boas respostas e de muito ensinamento amanhã publico uma entrevista com o Davi Calil que está tão interessante no aspecto de oferecer dicas importantes para iniciantes que eu gostaria de fazer hoje um prelúdio falando da minha experiência estudando por alguns meses com o Calil.

Na época que eu terminei o curso de desenho na Quanta (falei sobre isso aqui) teve uma aula de encerramento que, curiosamente, foi do Davi Calil. Depois disso eu voltei a fazer um curso na Quanta que o Calil chama de Pintura Relâmpago.

Eu sempre tive vontade de aprender a pintar, mas não tinha habilidade nenhuma quando fiz esse curso — gosto de frisar esse ponto porque tem pessoas que acham que é preciso saber pintar para fazer um curso e isso depende muito, um curso como esse é montado de forma que tanto o iniciante quanto alguém com mais habilidade aproveitem bem o tempo e os exercícios, tanto que na sala que eu estudei tinham pessoas como eu e pessoas que já mandavam muito bem na pintura.

E com o curso de Pintura Relâmpago do Calil eu aprendi uns fundamentos básicos sobre transparência, opacidade, luz, sombra, volume, passagem tonal. São vários conceitos que, ao meu ver, são complexos demais para a maioria das pessoas aprender sozinha — apesar de existir vários autodidatas excelentes no ramo da pintura.

Esse curso oferece uma visão ampla da pintura que não serve apenas para a tinta trabalhada na aula (o gouche), funcionando também como base para todas as técnicas de pintura que depois variam na peculiaridade dos pigmentos e suportes.

Inclusive, as pessoas que fazem pintura digital têm muito aprender com a pintura tradicional, pois aplicando as regras básicas dela você melhora muito a qualidade da pintura digital e tira um pouco daquela artificialidade que muitos coloristas acabam criando por pressa ou falta de técnica.

Eu confesso que tenho vários bloqueios com a pintura.

Não é algo fácil de aprender, exige muita, mas muita prática e os resultados no decorrer do caminho são muitas vezes frustrantes. Quem não vive isso, não se dedica totalmente a isso tem muita dificuldade de seguir em frente. Pintar não é algo que você faz ali rapidinho um pouco enquanto espera dar uma hora. É algo que tem um ritual. Por mais que você tenha um bom espaço e possa deixar tudo bem a mão, você tem um preparo de tinta e papel para começar, tem uma limpeza do espaço e de pincéis após terminar, ou seja, você tem que se programar com tempo suficiente para se dedicar com a paz e tranquilidade que a tinta pede.

Isso parece fácil, mas, de novo, se essa não é sua vida, se não é algo que você decide de fato se dedicar, é um caminho bem difícil de seguir.

Eu me preocupo com o preço do material, com o papel caro, a tinta cara, os pincéis caros, principalmente para os estudos que muitas vezes desandam e ficam feios. E, nesse ponto, voltando para o Calil, um dia ele falou que você tem que “se dar de presente” aquele material, comprar e desencanar se o resultado é ok ou não, porque o que o que importa é a prática. E ele tem muita razão.

Eu encano com já estar velho pra começar, principalmente quando eu vejo a trajetória de vários artistas, são raríssimos os casos em que alguém fala: comecei a estudar com os 25/30 anos. O normal é a maioria deles ter uma foto desenhando aos quatro anos, igual para todas as artes onde a mãe tem uma foto do músico com o violão aos quatro anos, do jogador com a bola no pé.

Mas daí você caí em um caminho onde meio que desiste antes de começar e em todos esses casos acima a solução é a mesma: um desapego. Um desapego com o tempo, um desapego com o material, um desapego com um objetivos a curto prazo.

E tudo isso eu aprendi em alguns meses fazendo esse curso de Pintura Relâmpago e, por mais que eu não sente e pinte tanto quanto gostaria, eu continuo desenhando, continuo estudando no meu ritmo e isso é o que importa.

Por isso eu recomendo muito os cursos que o Calil oferece na Quanta Academia (para quem não é de São Paulo, duas vezes por ano a escola oferece curso intensivos de férias que são uma grande oportunidade) e por isso eu convido todos a voltarem aqui no site amanhã para ver a entrevista com o Calil porque ele foi muito generoso nas respostas no tange em compartilhar experiências e ensinamentos.

Abaixo algumas coisas que eu pintei que mostram que é possível sair do nada e chegar em algum ponto.

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Originally published at www.diletanteprofissional.com.br on April 19, 2016.

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