So good at being in trouble

- Cheguei.
- Tá atrasada.
- Eu sei, tive que parar no mercado e passei na loteria pra pagar uns lances.
- Poderia ter algum cliente esperando.
- Mas não tem… soube o que aconteceu no apto. da frente?
- Não, mas tem um pessoal aí.
- O dono foi encontrado morto.
- Assassinado?
- Ué, você é o investigador. Devia saber.
- Ninguém veio me perguntar nada e to sabendo agora. Tava um pouco ocupado.
- Sei… tá lendo o que?
- Os mares do Cambriano.
- Você chegou que horas? 
- Umas nove… da noite… de ontem.
- …
- Sim, dormi aqui. E não, a gente não brigou…
- Certo…
- Sério. Só preciso de um lugar calmo…
- Ok.
- Preciso estudar.
- Realmente, aqui é o melhor lugar. Nunca tem trabalho mesmo.
- Sério, é que lá em casa às vezes…
- Cara…é sua vida, relaxa.

Alguns poucos segundos de silêncio.

- E como foi o lance do cara da frente?
- Não sei bem. Aquela velha do 404 disse que uns amigos encontraram ele morto. Diz ela que foi overdose.
- É…ele curtia uns lances meio old school.
- Ácido?
- Acho que também…talvez uns opioides…
- Uns…?
- Morfina, heroína…
- Que fita…onde você vai?
- Dar uma volta.
- Acabou o café…
- Eu trago.

Quando abriu a porta, uma moça pálida de cabelos pretos encarava o homem enquanto dava aquele sorriso familiar.

-Vê se não compra aquele café horroroso que tu compravas antigamente. 
- Oi, Laura…

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