A Fase Vimeo do YouTube

Casey Neistat, vlogger americano

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça é uma concepção cada vez mais inocente para quem quer produzir material de qualidade no YouTube - pelo menos para quem quer viver disso.

Com a popularização de DSLRs (Canon Rebel Series, Nikon D2000), câmeras de ação (GoPro, Sony X100), drones à preços um tanto que acessíveis, o YouTube se torna cada dia mais um espaço para produções independentes de alto nível de qualidade.

Estamos vendo o que acontece quando equipamentos profissionais podem ajudar a despertar grandes storytellers.

Quem faz isso?

Nós temos que falar do Casey Neistat, daily vlogger americano e meu youtuber favorito. Neistat já conseguiu criar vídeos para se tornarem virais mundiais e recentemente conseguiu um milhão de inscritos em seis meses.

Neistat é cru. Ajeita exposição da câmera com recording rodando, ajeita zoom no meio do vídeo e não parece se preocupar muito em exibir isso, ele sabe que a história que está contando assume as rédeas do seu material quase que por completo. E é verdade. Há muita história no canal de Neistat. Conseguimos acompanhar sua vida desde o inicio da gravidez de sua mulher, seu primeiro milhão de inscritos, o nascimento de sua filha e as primeiras férias agora como família.

Eu tenho um vídeo favorito dele (na verdade, são dois). Neistat decide gravar o pôr do sol num prédio no centro de Manhattan. O que acontece é que, ao usar um drone controlado por celular, seu mobile perde o sinal com o drone, deixando o mesmo estático para fora do prédio, dependendo unicamente de sua bateria, prestes a acabar.

O drone eventualmente começa a descer e para a surpresa de Neistat, não quebra. Porém, ele pousa em cima de um outro prédio que Neistat descobre não ter acesso fácil.

A história continua logo no vídeo do dia seguinte quando Neistat bola um plano de resgate ao drone. O desfecho - que deixaria Robert Zemeckis com inveja - você pode acompanhar aqui. Depois de conhecer Neistat, você percebe que esse dialogo diário é o que há de mais especial no material dele. Uma situação do dia a dia sendo transformada em entretenimento, um curta baseado em fatos reais e super bem produzido e filmado.

Não é qual equipamento ele (Neistat) usa para contar a história, é como ele usa os melhores equipamentos à favor dele.

Além do seu próprio canal, Neistat ainda tem uma startup de rede social - a Beme - e ainda ajudou a dar forma a essa nova geração de youtubers. Com o Beme, ele levanta a bandeira de que você não deve enxergar seus melhores momentos pela tela do seu smartphone e com seu vlog ele dialoga sobre uma vida novaiorquina e sobre um homem que valoriza cada encontro com cada pessoa e cada momento em cada shot.

Majoritariamente, essa segunda parte influenciou outros vloggers a produzirem conteúdo de alta qualidade técnica para o site. Entre os gringos, temos o ótimo Devin Super Tramp que foca mais em vídeos de ação e tomadas a cada vídeo mais espetaculares. Já entre os brasileiros, temos o André Pilli - que segue basicamente a linha do Neistat de vlog, com tomadas de Nova York e masturbação cinematografica - e o Cade a Chave que embarca no sucesso do Coisa de Nerd, criado pelo Leon e que conta constantemente com a participação da sua mulher e produtora, Nilce. O Cade a Chave não chega a ser igual o conteúdo do Neistat exatamente, mas é tão influenciado quanto Pilli.

DevinSuperTrump em um vídeo de perseguição baseado em The Division (vídeogame)

Mas onde o YouTube vai com tudo isso?

O jeito antigo de fazer vlog não acabou. O jeito PC Siqueira já está bem mais diversificado no site (tenho até um amigo que faz vlog também). E você realmente não precisa de super equipamentos para fazer seu vlog ou produzir seu conteúdo, seja lá qual for.

Cada um no seu quadrado - até você decidir levar a coisa para outro nível.

O nível de qualidade aumentou - isso é evidente - e podemos perceber nisso que existem mais pessoas interessadas em produzir conteúdo de super qualidade técnica com o intuito de contarem histórias melhores. Existem pessoas dispostas a gastar dinheiro em câmeras melhores para fazerem os melhores vídeos e pessoas se preocupando cada vez com edições melhores, qualidade sonora melhor e com tomadas que façam ao menos algum sentido, mesmo que apenas imagético.

Se Glauber Rocha fosse contemporâneo nosso, ele com certeza repensaria o apenas uma câmera na mão e uma ideia na cabeça e rebateria sua própria ideia com outra ideia também de sua autoria:

Sem linguagem nova, não há realidade nova.