Vivo de Transbordo

Imagem retirada do Google

Nasci cavalo xucro, desses feitos pra ser livre, rebelde. Mas fui domada muito cedo, cedo demais. Aprendi a ser submissa e obediente. Vivi submissa e obediente, achando que eu era assim.

Não percebi a casca do meu ser rachando lentamente: as unhas roídas, a depressão contida, as crises de choro, de raiva. Diziam ser uma fase, me castigavam e puniam. A fase terminou com a completa ruptura de quem eu era, ou me fizeram acreditar ser.

Tentei sair desse mundo. Pra onde finalmente seria cavalo livre.

Falhei.

Ainda não me encaixo e transbordo nos dias ruins, nas unhas ainda roídas, nas aulas faltadas, nas besteiras comidas.

Nos momentos de transbordo, sei que estou viva, mas não sei pra quê.

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