Pra quem sempre achou que meu cabelo não presta, hoje devo ter a pior cabeleira do mundo

Ouvi a vida toda que meu cabelo era ruim. Que precisava escovar, fazer alisamento, hidratação e não sei mai o que. Qualquer coisa que o fizesse, aparentemente, ficar com o aspecto de “bom”. Aí sempre deixava o cabelo baixinho, sabe? Pra evitar ouvir mais do mesmo. Sempre tem quem te põe pra baixo — às vezes sem notar.

Um belo dia comecei a deixar meu cabelo crescer e vieram cachos. Que sorte da porra! Nem lembrava que tinha cachos. E cresceram. Pra cima. Pra mim, essa besteirinha, que é o meu cabelo, é das coisas que mais me deixam feliz por eu ser eu.

No momento em que você repensa sobre um dado seu — que a vida toda chamaram de defeito — e se convence de que tem, na verdade, uma característica única, você passa a amar aquilo e proteger com todo o seu coração. Você deixa crescer — serve pra cabelo, sim, mas pode ser QUALQUER outra coisa. Defeitos pessoais só existem se VOCÊ achar que existem. Não os outros. Deixa os outros pra lá.

“Se te apetece resistir, resista, mas saiba bem o que te apetece, e não recue ante nenhum pretexto, porque o universo se organizará para te dissuadir.” (Não to falando nada de novo. Isso é Nietzsche em Assim Falou Zaratustra).

Este sou eu com meu “cabelão”. E logo atrás de mim a prova de que coelhos decorativos também se reproduzem.