“Omar, tens aqui o meu álbum. Gostava que o ouvisses.”

Deliciado, agarro o disco e abro-o. Estou a ver as faixas, os intérpretes e os… Mas onde foi o Hugo? Ele estava mesmo agora aqui. Intrigado com este (des)aparecimento decido nesse momento ir ouvir o disco…

Só pelos intérpretes, individualmente…

Abro as portadas da janela, dou um passo atrás.

Atrás de mim sinto o espaço que agora se ilu-anima.

À minha frente a janela está aberta.

Sinto que, de um impulso me posso atirar e voar através dela.

Lá fora, plano como uma pluma no ar, a girar sobre mim próprio.

Ainda estou cá dentro, inspiro, suspiro, expiro.

Estou agora terno, tudo volta a ter ordem.

Aproximo-me da janela e vejo…

A Janela de João Mortágua está aberta. Pouco importa se estamos do lado de dentro ou de fora. Ela existe e está lá. Mas o maior deleite está quando nos aproximamos dela. Primeiro notamos as inscrições na portada, depois vemos as pecinhas presas com elásticos, e por fim ouvimos o mundo de João Mortágua a voar pela janela.

Porto, 11 de Julho de 2014
Omar Costa Hamido

Copyright © 2014 Omar Costa Hamido

an interlude from
“< > | detachment, projection and imaginary”

Iceberg Tale

Drifting on the deep-blue sea,
there is a beautiful protrusion,
frostily white.

Quiet and gently,
I approach her on my little orange boat.
I invite her for a walk.
And so we float,
aimlessly, on a slow dance.

Little by little, we get in the mood.
Below…

Omar Costa Hamido

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