Concerto Estrelar

Subi as escadas para tomar um banho de escuridão, silêncio e vazio.

Dou conta que o céu está estrelado, mas desta vez o brilho das estrelas era muito mais intenso, não em luminosidade mas sim porque oscilava muito! E isto apesar de o céu estar limpo.

Deixei cair os phones dos ouvidos, espantado com este concerto estrelar. O seu brilho, de tanto oscilar, às vezes até apagar, passava por tons cromáticos variados. Foi aqui que eu percebi finalmente o verdadeiro fascínio pelas estrelas, e o que elas nos dizem de mais profundo.

E mesmo sabendo que a noite é muda, não consegui impedir que escapassem da minha boca as palavras “Não é a geometria… é a energia!” (A geometria é uma consequência da energia)

E talvez estas palavras tivessem caído no mesmo poço sem eco onde mergulharam os últimos meses da minha vida, não fosse apenas pelo facto de no preciso instante em que as dizia ter passado uma estrela cadente por cima de mim.

A geometria, isto é, a disposição das estrelas não é nada mais do que uma consequência da evolução (temporal) energética das mesmas. Mas porque é que eu nunca tinha pensado nisto antes, e porque é que parece ser tão mais óbvio ao olhar humano uma disposição geométrica, que não é nada mais que uma abstração ilusória?

É uma falácia, esta imposição humana da geometria invariável das constelações! Talvez seja possível perceber a preferência humana pela geometria em vez do tempo, da mesma forma que mostramos tendência para comparar grupos infinitos com a lógica dos grupos finitos…

«Se não estiverem quietos como é que podemos CONTAR com eles?»

Vejam só como as estrelas dançam! Possivelmente todo este aparato se deve apenas às condições “climatéricas” para lá da atmosfera. Dir-se-á que hoje é um mau dia para voar no espaço? Deverá ser esta neblina, esta interferência cósmica que está a filtrar a luz das estrelas. A mesma, possivelmente, que justifica o aparecimento da estrela cadente (?)

É a neblina, usando apenas uma técnica estilo “moiré pattern” - no fundo um outro tipo de imposição -, a compositora celestial deste concerto a que assisto. Não deverá ser assim que as estrelas brilham, é certo, mas foi esta encenação que me fez perceber que o importante não é de onde brilham, mas como e quando brilham as estrelas.

17 de Junho de 2015, algures depois da 01h
Copyright © 2015 Omar Costa Hamido