“Hugo Trindade - Départ (2014)” Review

“Omar, tens aqui o meu álbum. Gostava que o ouvisses.”

Deliciado, agarro o disco e abro-o. Estou a ver as faixas, os intérpretes e os… Mas onde foi o Hugo? Ele estava mesmo agora aqui. Intrigado com este (des)aparecimento decido nesse momento ir ouvir o disco…

Só pelos intérpretes, individualmente, poderia esperar boa música mas, este disco é um disco do “Hugo Trindade Quintet”. Será o todo maior do que a soma das partes? «Ponho o disco a tocar».

“Imáginario” é uma palavra muito forte, carregada de sentido e…
Eu acabei de ouvir uma referência ao solo do Miles Davis no “So What”?
Estou a imaginar coisas… Ou então não, e esta é sim, uma referência a um imaginário! Um imaginário como ponto de partida — literalmente, pois esta é a primeira faixa do disco.

Mas, onde está o Hugo Trindade? O ataque do trombone e a tensão e ressonância do violoncelo em “Believer” fazem-me duvidar se está ali uma guitarra ou não [ele está lá no meio ou não].

Uma vez está visível, outras escondido, e não é só com ele. Todos os outros músicos estão também constantemente a mudar de lugar e tamanho. Ora estão aqui, ora saíram, ora estão grandes, ora estão pequenos.

Capa do disco

Afinal o que é o “Hugo Trindade Quintet”? Não é um grupo acústico, é electro-acústico; pelo menos isso eu sei. Para onde vão? Ainda não sei; mas embora a segunda trilogia de temas me inspire a dizer que querem ficar, que querem contemplar, o disco chama-se “Départ” — que quer dizer de partida.

Chego ao tema “Départ — suite”, o tema que dá nome ao disco. É um tema longo e com várias mudanças e tem alguma coisa de familiar…

Ah! Este é o Hugo que eu conhecia! Aqui está ele.
E aos poucos as várias mudanças, as várias partidas, começam a dar corpo às respostas às minhas dúvidas.

Sobre o “Coral”, a oitava e última faixa do disco, pensei nas respostas:
Ele está onde ele é.
E o grupo é o que ele imaginou.

Coruche, 21 de Maio de 2014
Omar Costa Hamido

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