“João Filipe/João Guimarães (2012)” Review

“João Filipe/João Guimarães” é o nome do primeiro disco (salvo erro) da dupla homónima na editora Sonoscopia.

Mais, mas muito mais, do que um percussionista e um saxofonista, estes dois entes são músicos que pensam e agem através do som. Articuladamente exploram as “duas dimensões gêmeas” — o espaço e o tempo. E é no registo desta exploração que se revela imediatamente (assim que carrego no “play”) o terceiro músico — Manuel dos Reis. Eu não me lembro quando foi a última vez que ouvi um disco em que me sentisse no meio das percussões, literalmente! A gravação é incrível.

João Filipe faz um uso geométrico das suas múltiplas fontes sonoras, é ele quem define o espaço. Se pudesse fazer uma analogia com o filme “Matrix”, diria que João Filipe está para o Arquiteto assim como João Guimarães está para o Oráculo. João Guimarães só nos diz, precisamente, aquilo que precisamos de ouvir. Por um lado, um discurso fluido e horizontal, que só me faz lembrar as linhas (no tempo) das partituras gráficas de Xenakis e Cage. Por outro, uma abordagem com música eletrónica que tende a criar uma dinâmica, como dizer… centrífuga! Eu juro que a determinada altura senti o meu corpo contorcer-se para a esquerda e para cima, como se estivesse numa espiral…

capa do disco

O produto final desta equipa é um disco de 30 minutos que, tal como diria a Caracolinhos Dourados, “está apenas excelente”, acompanhados de um texto de Manuel João Neto sobre a primeira parte (Ancestral), e um design de Micaela Amaral que dá vontade de levar para casa! Não está disponível em muitos sítios mas o preço é bastante acessível e, se tiverem muita sorte, até poderão encontrar o próprio João Filipe na Louie Louie para lhe sacarem um autógrafo! (quanto ao autógrafo do João Guimarães terão de atravessar o oceano para o conseguir)

Porto, 3 de Novembro de 2012
Omar Costa Hamido

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