A culpa não é da mídia

Com a informação, e o debate, disponíveis na web para quem quiser ler, acho muito raso creditar à grande mídia, “golpista” e “vendida”, a formação da opinião das pessoas sobre o contexto político-econômico que estamos vivendo.

Infelizmente é este o resultado desta nossa cultura comodista, que prefere esperar sentado ao invés de correr atrás para buscar entender melhor o mundo em que vivemos. Uma cultura que ensina a ouvir e acreditar, e não a refletir e questionar.

Sim, a Rede Globo ainda tem poder. Muito poder. Quem sabe muito mais poder que boa parte dos políticos que elegemos. Mas é vazio pensar em uma opinião pública que é formada apenas com esta origem. Afinal de contas, se você acredita que só o Jornal Nacional vale como fonte de informação, desculpe aí, mas o problema é seu.

Na época do Golpe Militar, 1964, até fez sentido dizer que a mídia é grande culpada por apoiar a tomada do poder pelos militares, e que com este apoio, se comprometeu a influenciar a opinião dos cidadãos. O resultado pode ser visto nas ruas e nos debates, com pessoas que hoje em dia, ainda dizem querer voltar para os anos de ditadura, a título de progresso, crescimento econômico e extermínio dos “comunistas”.

Me desculpem os críticos, mas a culpa do suposto golpe — se é que ele existe — não é da mídia. A culpa é sua, minha, de todos nós. Porque somos nós que nos limitamos a apenas uma fonte, quando a pluralidade de opiniões e visões está aí, para quem quiser ver.

No final das contas, o que resta é uma série de pessoas, repetindo, feito papagaios hipnotizados, um tanto de opiniões de terceiros, as quais muitos nem entendem ao certo o que querem dizer.

É apenas a manifestação vazia de uma vontade cega de fazer parte de um dos dois lados desta discussão. Quando o certo, a meu ver, seria buscar a variedade de informação para construir a uma opinião própria, carregada de uma visão de mundo única, pessoal e exclusiva.

Sabe o que isso tudo quer dizer? Que os políticos podem mudar, a mídia pode mudar, e até o sistema político pode mudar. Enquanto nós continuarmos agindo da mesma maneira, dificilmente veremos um contexto muito diferente do que este que estamos acostumados. Como diria Albert Einstein, quem sabe o maior gênio que este mundo já viu, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.