Artistas e Intelectuais Precisam se Candidatar em 2018

Já estamos todos preocupados com a corrida presidencial para 2018, mas não estamos tão preocupados com a corrida legislativa. Deveríamos. Em 2014 elegemos o Congresso mais conservador desde o fim da Ditadura Militar, resultando numa Câmara presidida pelo gangster Eduardo Cunha, num golpe parlamentar e na aprovação de medidas retrógradas como a redução da maioridade penal, a Reforma Trabalhista e Rodrigo Maia na linha de sucessão presidencial.

Esses fatos mostram o quão poderoso é o poder Legislativo no Brasil. Independente de quem for eleito ou eleita em 2018, será o poder Legislativo que dirá se essa pessoa se manterá no cargo, por quanto tempo e se essa pessoa poderá aplicar as suas promessas de campanha ou não. Tudo isso independente dos interesses populares, como aconteceu com a aprovação da Reforma Trabalhista e como está acontecendo a cada dia que Michel Temer permanece na presidência, apesar de não faltarem fatos e provas para embasar inúmeros projetos de Impeachment.

Obviamente, quando falo que “Artistas e Intelectuais Precisam se Candidatar em 2018” não estou dizendo que eles e elas devem apenas se candidatar para o legislativo, mas as razões que os levam a não se candidatar dificultariam mais ainda que eles topassem candidaturas ao Executivo. Mas quais razões normalmente levam a esses grupos e indivíduos — altamente politizados- a não se vincularem com a luta política?

Primeiramente, o medo de rejeição por parte dos seus públicos e por parte dos seus pares. Ao se candidatarem e se elegerem eles precisariam se comprometer com ideias, ao se comprometerem com certas ideias, eles podem perder público e prestígio. Fora que podem perder a paz e virarem mira direta de ataques, principalmente das pessoas que os admiravam antes. Mas tempos desesperados pedem medidas desesperadas. E se “não temos tempo de temer a morte”, como andamos cantando por aí, por que teremos tempo de temer comentários malcriados no Facebook?

Outra coisa que prende essas pessoas são contratos, principalmente com as gigantes da mídia como a Globo, Record e etc. Isso, de fato, cria um problemão para as suas carreiras. Mas fico extremamente triste quando Luciano Huck almeja uma candidatura presidencial (risos), mas artistas muito mais inteligentes e politizados que ele, e que fazem parte da mesma emissora, se sentem acuados até para uma candidatura para vereador.

Um terceiro problema — esse afasta não só artistas e intelectuais da política, mas todos nós — é a ideia muito propagada hoje em dia de que a política é um campo inerentemente sujo e corrupto. Não, a política é o que fazemos dela. E não há sociedade sem política, sendo a política apenas um reflexo da sociedade. Essa visão deturpada do o que é a política só favorece que pessoas sem ideias e apenas com intuitos de enriquecimento entrem para a política. Ou seja, ao dizer que a política é um campo inerentemente corrupto, estamos criando uma profecia auto-realizável.

E quais seriam as vantagens de termos mais artistas e intelectuais na política e, principalmente, no legislativo? Primeiro existe o problema de financiamento de campanha, muitos candidatos bem intencionados não conseguem se candidatar, pois não se aliam a grandes partidos ou não se vendem para o interesse de grandes corporações. Mas a fama também é capital. Se, por exemplo, o Lázaro Ramos se candidatasse para deputado federal, existe alguma dúvida que ele ganharia a cadeira? Ele nem precisaria gastar tanto assim com a sua campanha, sua popularidade já faria o trabalho.

Em segundo lugar, ao termos figuras já conhecidas pelo grande público na política teremos uma relação mais próxima com os nossos representantes. Ao menos, as pessoas lembrariam em quem elas votaram na última eleição, o que já seria o primeiro passo para manter uma vigilância maior sobre o trabalho da pessoa.

Em terceiro lugar, e amarrando com o início do texto, artistas e intelectuais tendem a defender ideias mais progressistas e, até mesmo, de esquerda. Tendem a ser pessoas mais comprometidas com a educação, com o bem-estar do povo, com a pesquisa científica e com o meio ambiente. Qualidades essas que nunca faltaram tanto no Congresso, quanto nesse eleito (POR NÓS) em 2014.

Sendo assim, acredito piamente que devemos incentivar a candidatura de figuras públicas que são politizadas e que costumam se posicionar perante as discussões políticas com inteligência e com integridade. Obviamente que ninguém tem obrigação a nada e que esses indivíduos podem ter mil outros motivos pessoais para não se candidatarem. Porém alguns podem já ter perdido algumas horas de sono considerando a possibilidade e podem estar esperando apenas aquele empurrãozinho nosso para tomarem a iniciativa.

Pensem no assunto, selecionem as figuras que você gostaria que te representassem e proponham a ideia via comentários em suas páginas nas redes ou por e-mails. Aposto que você receberia muitos likes de outros admiradores concordando com a proposta. E lembre-se: no Legislativo cada cadeira importa tanto quanto a de um Presidente.