Meus Planos

Eu sempre planejei cada passo da minha vida; namorar aos 15, perder a virgindade aos 17, mudar para São Paulo, fazer a melhor faculdade, me casar aos 30, engravidar de uma criança e depois adotar uma do sexo oposto. Sempre fiz esses esquemas sem pensar nos empecilhos. Sem pensar de verdade no dia em que finalmente fecharei minha mala empacotando todos os livros, roupas e maquiagens, para dar adeus à cidade em que nasci e cresci e para as pessoas que eu tanto amo e que ajudaram a me tornar essa pessoa que eu tanto me orgulho em ser.

Nunca pensei na dificuldade da prova do ENEM e se realmente estou estudando o suficiente para conseguir a melhor nota; se vou encontrar uma pessoa legal para dividir o apartamento ou se serei bem-vinda na faculdade. Não sei se encontrarei o amor da minha vida há tempo e nem se viverei de fato aquele típico amor de conto de fadas, capaz de tirar o fôlego e a razão.

Me dói o fato de não saber se terei coragem o suficiente para viver a vida que sempre quis para mim; se terei a bravura de trilhar o caminho desconhecido em busca da tão sonhada felicidade.

Sempre ouvi que a vida é composta por escolhas difíceis; e mais difícil ainda, é saber se você realmente chegará lá. Para isso é necessário arriscar. Pegar o ônibus e sair num lugar estranho, não tentando conhecer o mundo, mas tentando conhecer a si mesmo. Saber o quão forte pode ser, e quantas surpresas a vida pode te dar.

E não digo só surpresas boas, as coisas ruins também são necessárias para temperar nossas vidas e dar sentido à nossa existência. Não queria ter que passar por dificuldades, mas também não quero uma vida sem emoção. Quero correr atrás de tudo, mesmo com o medo fazendo parte da bagagem, e depois poder olhar para trás e ver que tudo valeu a pena.

Ver que os familiares que deixei, estão orgulhosos de mim e que superei as expectativas de todos. E que eu consegui realizar não apenas os meus sonhos, mas os deles também.