Assuntos extensos e inacabados de uma tia com nome
Crônicas de Uma Tia, por Raquel Araujo
Finalmente meu sobrinho tem um som que me representa! Depois de 1 ano e alguns meses de existência, fui nomeada! Sim, sim, eu sei que rolam algumas questões humanas ai que justificam esta história de querer receber um nome. Mas acho que elas podem ser extensas demais pra este momento de agora. Mesmo assim, admito e aceito todas as tais questões! O que importa é que eu tenho um som! Ou melhor, um nome (:
Desde que Joaquim nasceu eu repetia no ouvido dele “titia” pra ver se saia alguma coisa. Nada. Ele começou a falar e eu mantive a repetição didática. Nada. Vai ver que meus métodos não eram tão eficazes assim. Sempre achei que “titia” fosse um som fácil, mas na lógica de Joaquim, ele prefere algo que parece “Quequel”, mas não é “Quequel”, mas a gente acha que é e fica feliz assim. Eis mais um assunto que não vou concluir agora: eu tentar ensinar do jeito que acho mais fácil quando, na lógica dele, tudo fazia sentido de um jeito diferente.
Até porque este novo mundo é dele e ele nomeia como quer – já está ai uma das tais questões humanas. Foi esta – nomear – a primeira tarefa do ser humano. As coisas existem e recebem nome. Bebê tem nome, objeto tem nome, sentimento tem nome. E eis que o ser humano segue desempenhando a curiosa tarefa de nomear até hoje. Umas vezes melhores que outras. E paro por aqui.
Outro assunto que pode ser extenso é o fato de eu e minha irmã termos interpretado como quisemos o tal som e termos dado sentido a ele junto com Joaquim. Vai que o som era pra ser outra coisa e a gente fez virar “Quequel”? Tai outra coisa que ser humano faz: se mete da nomeação alheia como quem não quer nada e acaba, algumas boas vezes, atrapalhando muita coisa que não deveria ser atrapalhada.
Bom, prometo que vou pensar sobre um dia voltar por aqui e falar das coisas extensas que citei. Pode ser que mude o assunto, mas vou pensar. Agora, só quero saber que meu sobrinho-coisa-linda me chama por um nome (oh céus, só este pedaço de frase daria um bom outro assunto extenso). Deixo vocês refletindo por conta própria os assuntos extensos e inacabados. Já tomei café com meu sobrinho hoje – que toma café com pão – e muitos outros cafés, mas preciso de mais uma dose. Tenho uma dissertação para nomear.
Adeus.