Escrevendo séries para televisão, internet e celular

Depois de muito protelar, acabei decidindo abordar um assunto que está em voga na produção audiovisual brasileira; as séries de ficção e não ficção para televisão. Apesar de antigas nas TVs americanas e em outros mercados, para nós parecem uma novidade.

De certa forma é uma novidade. As séries aqui foram produzidas e exibidas pelas emissoras de televisão, em especial a Rede Globo, trazendo muitos elementos das novelas e telenovelas. Do ponto de vista dos produtos as séries estão, ao mesmo tempo, próximas e distantes das fórmulas da telenovela e do cinema. Podemos dizer que elas se inserem na brecha entre as duas formas de representação.

Do cinema trazem a linguagem, a narrativa, a montagem, a cenografia, o roteiro em 3 atos, personagens bem construídos e uma trama definida em cada episódio. Da telenovela (televisão) os personagens/atores carismáticos, o desenvolvimento sempre igual da trama, os diálogos explicativos, os grupos de personagens e a periodicidade.

Outro elemento que marca a série é o seu relativo baixo custo. As tramas e personagens se movem em poucos ambientes, que concentram cerca de 60% das ações dos episódios, geralmente em estúdio. As imagens e paisagens externas servem para dar respiro e veracidade. Em cada episódio o espectador sabe o que vai acontecer, mas o seu interesse é pelo desafio e como ele será solucionado.

Juntando os elementos temos o fenômeno da produção de séries em larga escala e com os mais diversos conteúdos e gêneros; da família clássica tradicional ao mundo dos zumbis. Do romance desajeitado dos nerds à fantasia do game. Hoje se produz todo o tipo de conteúdo para públicos diversificados.

No Brasil a novidade está na participação das produtoras independentes na produção de conteúdos para a televisão de sinal aberto e fechado. A diferença é que a produtora independente pode trabalhar com profissionais diversificados com propostas distantes da teledramaturgia convencional; autores, roteiristas, diretores, editores, músicos, produtores, diretores de arte, entre outros, além de atender os parâmetros de negociação do mercado internacional.

Hoje são vários os editais, concursos e feiras de negócios envolvendo a criação e produção de séries nacionais de ficção e não-ficção, principalmente para exibição nas emissoras de sinal fechado, por conta da legislação do audiovisual. É interessante observar a necessidade de se formar núcleos de criação para atender o mercado, muito diferente do pensamento corrente até 2013.

Além da televisão, outros dois segmentos entram no foco da realização; a internet e o celular. A pergunta é: “valem os mesmos parâmetros para a criação de webséries e mobileséries usados para televisão?” A resposta é sim e não.

Daqui para frente este será o objeto das minhas publicações.

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