o eunuco apaixonado e o satanismo LaVey
o eunuco apaixonado e o satanismo LaVey
o eunuco fez um pacto. usava casaco de pele de filhotes de focas que vieram de longe, longe, de onde ele nunca ouviria falar antes de morrer aos trinta e nove anos de infarto do miocárdio, pois tomaria um baita susto ao ver seu objeto de afeição, katrina, lambendo os beiços de outra. mas, ainda sobre o pacto, o eunuco pediu seu sexo de volta, pois, oras, pois queria amar katrina como se deve amar uma mulher, e tinha certeza que katrina era gulosa, pois tinha os lábios avermelhados e aquele vermelho era fome, só podia ser fome, e quando junta-se fome a vontade de comer, tudo vira banquete, até um osso de galinha osteoporótica. leu em livros empoeirados que devia-se fazer um pentagrama, fez um pentagrama, colheu seu próprio sangue e clamou por belzebu. o demônio apareceu, bem apessoado que só e de repente o eunuco gelou de medo de que katrina se apaixonasse por satã, e não por ele. lembrou das focas. arrependeu-se e quis rezar, mas agora ajoelhou, tem que rezar. assim, senhor satã, é que eu queria saber como é o sexo. o sexo? risadas. você já conhece o inferno, né? te dou não só um caralho, mas dois, tá bom? pois o que o demônio tem de ruim, tem de bom também (dizem que tudo se equilibra). tá bom sr. satã. pode me chamar só de lú. e sumiu numa fumaça cheia de glitter. acho que ele é não-binário, ou andrógino, coisa assim. e foi confuso tocar sua primeira punheta pensando em katrina, que a essas horas estaria pensando em elizabeth do carmo. e as focas comendo umas as outras provavelmente, deleitando em instinto animal. pois no fim devia ter pedido isso, pra ser uma foca (ou um casaco de pele).
