Pobreza de futuro

Se colocarmos qualquer um dos 141 municípios de Mato Grosso numa régua que meça o futuro, todos sonham. Nenhum tem planejamento. Todos esperam pelo futuro de uma maneira muito vaga, como se ele fosse mágico e um dia descesse do céu trazido pelo pavão misterioso da bela música de Ednardo. Porém, algumas cidades são mais estratégicas. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Primavera do Leste, Barra do Garças, Água Boa, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Alta Floresta, Juína, Sapezal, Tangará da Serra, principalmente.

Porém, gostaria neste artigo de me restringir a Cuiabá, porque é a capital. Todo o crescimento que acontecer na maioria dos municípios de algum modo vai refletir sobre a capital. Seja em termos de mercado imobiliário, seja em educação, saúde e serviços de todas as naturezas, incluindo os serviços públicos. Mas não tem planejamento. O futuro não planejado, se vier, virá mesmo nas asas do pavão misterioso da música.

Vejamos alguns pontos óbvios. Nos próximos dez anos teremos uma produção de grãos que vai aumentar 88,5% chegando a 88 milhões de toneladas e a 3,1 milhões de toneladas de carne. Atrás virão agroindústrias, novos municípios, milhares de novos negócios. Cuiabá é base estratégica. A saúde se tornará essencial como pólo, assim como a educação, o urbanismo e perspectivas avançadas pra apoiar o crescimento econômico que se fará profundamente tecnológico.

Não vejo os candidatos a prefeitos preocupados com um ponto sequer desse planejamento estratégico pro futuro, além dos discursos de sempre. Meras repetições de velhas prosas vencidas há décadas. Farão campanhas pobres, de acusações, criticando o óbvio, mas não apresentarão planilhas de planejamento dignos desse nome. Tudo isso num momento em que o eleitor está profundamente decepcionado com a política e com os políticos.

Não será demais dizer que os candidatos a prefeito em Cuiabá irão à eleição cegos. Com uma velha pasta de cartolina e dentro algumas idéias vencidas há décadas. A rigor, ninguém conhece a Cuiabá real e nem terá tempo mais pra fazer sequer um plano decente para uma única área. Repetiremos a velha lenda: elege-se, passa um ano criticando o antecessor e depois faz o que der e dá-lhe um nome de planejamento com algum apoio de marketing. Será, de novo? Voltarei ao assunto.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br