«Ai é tão lindo!»

Entre ruínas fui criado, Frei Farol me viu nascer. Ó menina tem cuidado, a dança é com pés no chão. Diz-se cobras e lagartos da obra que eu fiz erguer, só que as vigas estão fundadas e um dia haverá razão.

“Virou” é o nome do álbum de 2009 dos Diabo na Cruz. E virar do avesso a relação dos alunos da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) com a rádio da escola é aquilo que se pode prever da mais recente escalada na ESCS. Com vista panorâmica sobre Monsanto, faísca a 2.ª Circular nos olhos de quem escuta, no fim de tarde de mais uma quarta-feira, os risos, os muitos risos que saem das colunas. É o Lusco-Fusco.

A música que serve de entrada a este texto é a de recurso quando tudo falha nos servidores da ESCS FM: “Tão Lindo”. Para Ricardo Ramos, diretor-geral da rádio da escola, é também aquela que melhor define o projeto. Uma história com cinco anos e uma equipa praticamente completa. Agora falta pouco: “uma equipa de produção”, diz o diretor. O resto está lá. A rádio é dos alunos e esses nunca faltam.

Chegar ao topo pode ser entendido de muitas formas. Pode, igualmente, significar muitas coisas. A ESCS FM chegou ao topo. É a mais inegável verdade e quem escreve este artigo não está, com esta frase, a derrubar a deontologia e a ética do Jornalismo. A ESCS FM chegou efetivamente ao topo, e agora, com vista para a cidade, e sob a “luso-tempestade”, de que falam os Diabo na Cruz, é possível ouvir a rádio da escola. Ao fim de cinco anos, a ESCS FM chega finalmente ao topo do edifício de Carrilho Graça. À banda sonora dos carros que passam lá em baixo, juntam-se as músicas, os programas e as rubricas deste núcleo da ESCS. Tão lindo.

A ESCS FM possibilita aos estudantes exercitar a rádio”, assim como proporciona “um momento para desenvolver aquilo que é lecionado nas aulas”. As palavras são de Francisco Sena Santos, que, antes de apresentar o noticiário do dia 28 de outubro de 2015, o dia em que a ESCS FM soprou as velas e começou a tocar alto no piso 3, falou connosco visivelmente orgulhoso sobre um projeto que acompanha com atenção.

Quase todas as pessoas que passaram pela ESCS FM são hoje competentes na rádio”, diz ainda Sena Santos. Lá fora, sobre as mesas da esplanada, os aguaceiros mostravam que também percebem de ritmo. Estava já escuro e, enquanto o “Professor” apresentava a edição do dia, no Sunset de aniversário só havia silêncio. Em torno das mesas, as dezenas de alunos da escola que se juntaram à festa observavam-no como crianças que vêem as personagens da história que o avô lhes conta, à luz de um crepúsculo que chega tremelicando pela chuva que rasga carreiros na janela.

Poucos faltavam. Estavam lá os diretores da rádio, os organizadores da AE ESCS, os membros mais ativos do núcleo, os outros núcleos, o presidente da Escola. E entre todos é unânime: esta rádio, que é escola antes de o ser, é um complemento à formação dos alunos. Acrescenta algo aos alunos e prepara-os para o mercado que hão de enfrentar fora das paredes da Escola.

Veio colmatar a lacuna”, diz Jorge Veríssimo, presidente da ESCS, que também cantou, com a escstunis, os parabéns pelos cinco anos de emissões do núcleo. Antes da ESCS FM, que é totalmente digital, não havia grande coisa em matéria de rádio. Nesta escola, a história fez-se ao contrário e a televisão veio antes das ondas sonoras. Agora, no topo da cidade, ouvem-se as vozes da caverna no -1. É tão lindo.

Originalmente publicado em ESCS MAGAZINE a 20 de novembro de 2015