A linguagem é dinâmica e a atualidade pede que ela seja inclusiva (I)

Linguagem Inclusiva em Ambientes Corporativos

Houve tempo em que o mundo corporativo era espaço exclusivo das pessoas homens, mas isso não é verdade já há bastante tempo. Embora existam regras de discurso a seguir, podemos repensá-las pois talvez não seja necessário ou producente manter convenções e formalidades linguísticas que não mais tem amparo na realidade. Com o passar do tempo, a Língua evolui em uso e as regras gramaticais e ortográficas se conformam a essa evolução.

Uma questão interessante, fruto de séculos de sociedade protagonizada por homens, é a dificuldade que existe em concordar palavras no feminino quando potencialmente há homens envolvidos. Mas basta raciocinar: seres humanos são “pessoas” - não há aí qualquer controvérsia - palavra que na Língua Portuguesa é “feminina”, logo não há erro em nos referir a qualquer pessoa ou pessoas no feminino. Não há nada de errado, em termos da língua portuguesa, um homem dizer o popular “Sou dessas!”, afinal não só ele é “dessas” pessoas, como o bordão é na forma feminina. Mas o que fazemos normalmente é flexionar o bordão para que os homens digam "Sou desses"!

Não só as pessoas que se identificam como homens tem problemas com isso. Muitas mulheres também acham estranho não flexionar no masculino quando sabem que a pessoa é homem. E a maioria das pessoas não tem problemas em tratar um grupo de, digamos, 101 pessoas, em que apenas uma é homem, em um masculino plural, “porque é a regra da língua”.

Obviamente não seria apropriado em comunicações corporativas o uso de expressões como as usadas nas redes sociais, finalizando palavras em “@”, “x” ou “e”. Mas como vimos, a própria língua portuguesa, com suas regras vigentes, atende à maioria das questões de inclusão, desde 
que deixemos de lado preconceitos.

O uso inclusivo da linguagem é essencial para uma boa comunicação e o sentimento de bem estar das pessoas envolvidas. Nos ambientes de trabalho, o uso de uma linguagem inclusiva serve para:

1. Separar função exercida da pessoa que a exerce, marcando que função independe de gênero. 
2. Reforça o tratamento igualitário entre as pessoas, independente de terem identidades de gênero masculina, feminina ou uma mistura de ambas.

Ambas as formas discutidas usando o masculino como neutro ou as flexões mais neutras ou até femininas (concordando com "pessoas") estão na regra. Mas uma delas é mais inclusiva e igualitária e você pode sempre escolher que tipo de expressão você quer passar quando se comunica, seja no ambiente de trabalho e em outras relações.

NOTA:
Normalmente não escrevo exclusivamente sobre ambientes corporativos, mas este texto nasceu quando recebi convite para escrever para um blog relacionado à diversidade, em intranet corporativa. Resolvi escrever sem marcação específica da empresa, de modo a poder publicá-lo externamente.
Nesta publicação apenas adicionei uma numeração e subtítulo para um futuro segundo artigo com escopo maior.

Outra leitura:
A linguagem inclusiva de gênero é uma ferramenta a favor de todos