Medo e Raiva

Vivi os mais de 40 anos da minha vida entregue a estes dois sentimentos.

Medo das coisas que todas as pessoas têm, os medos comuns da sociedade. Aquela apreensão sobre se conseguimos o emprego e se não o vamos perder. Se vamos conseguir pagar as contas e por aí vai. Mas também um medo grande de perder.

Raiva. Raiva por não ter algo, por ter que fazer outra coisa, pelas dificuldades da vida, por me sentir sufocando por alguém, por crescer sem…

Na maior parte, nenhum desses dois companheiros de jornada, Medo e Raiva, embora com raízes conhecidas à certa altura, era justificável. Tanto pelos objetos, como pela intensidade. Mas, presentes por tanto tempo, confortáveis ficaram, pela familiaridade.

Alertas não faltaram, mas preferi me enganar, com ego inflado, achando que assim estaria melhor, mais forte. Grande engano!

Por temer amar, por medo de perder, alienei os sentimentos de quem me ama.

Por medo de perder, afastei. Por medo de ficar só, só fiquei.

Meia vida (dependendo do quanto eu viver) desperdiçada. Que ao menos eu consiga romper este ciclo, e você leitor que por acaso esteja assim, saia dessa. Viva, arrisque, entregue-se.

Parece melancólico, e de certa forma é, mas principalmente é minha forma de me lembrar de dar o salto de fé, deixar o Outro me afetar também, e simplesmente amar.

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