Andava com um cigarro atrás de cada orelha. Cabelo preso e regata com frase anarcofeminista. Tinha covinhas na bochecha e gostava de soltar fumaça pelas narinas olhando para a lua. As vezes, antes do banho, observava seus olhos ficarem vermelhos em frente ao espelho.

Curava suas dores conversando com estranhos, velhos e sonhadores. Nas noites de insônia, caminhava pela praia atirando problemas em brasas que se apagavam.

Certa vez decidiu conhecer o paraíso. Foi de avião camuflado. Vendeu wrap de camarão e poemas sobre cavalos marinhos. Cantou e transou com dezenas de ébrios em barcos que flutuaram numa mesma faixa oceânica. Ganhou um chicote e sentiu que nunca mais estaria sozinha.

Sorriu para tudo aquilo e decidiu que era hora de experimentar as novidades do inferno.