Bárbara

Bárbara não era uma senhora, muito menos uma baby, alguns homens diziam que ela tinha ar sombrio. E se me perguntam por que? Digo que porque ela quer. E muitos a querem, alguns realmente precisam dela…
Certa noite, era horário de verão, ela estava com uma guria chamada Ana, que tinha pele quente e cabelos longos, gata estilo mulherão. Entre mergulhos, ventiladores, drinques e bongadas, surgiu um boy do tipo “resista-me se puderes”, e eles esbarraram-se no bar. Foi sorriso sem vergonha de um lado, correspondido com um sorriso maroto pelo outro. A cinco metros deles Ana, toda gostosa e charmosa filmava a cena com sorriso sacana estampado nos lábios (levemente mordidos pelos dentes mais brancos que você vai conseguir imaginar). Era como se estivesse convidando ambos para entrar, sem roupa, no mar.
Mas Bárbara era uma garota diferente, daquelas que se tornam grandes mulheres. Do tipo que mantém as lágrimas bem longe de seus olhos. E enquanto ele se repetia dizendo como o sexo o fazia esquecer e como cegava seus olhos, ela sacou seu telefone e mandou uma mensagem para si mesma. Ele havia sacado que ela estava magoada por dentro, os olhos entregavam. De certa maneira ele estava dizendo que se ela deixasse ele cuidaria dela. Bárbara sorria de cabeça erguida, ela sempre manteve a cabeça erguida, mesmo quando todos os seus amigos a deixaram. E quando ameaçaram tirar-lhe o filho. 
Tinha espírito de guerreira amazona, e não havia nenhuma dúvida em sua mente quanto ao fato de que um e um não eram dois. 
Sendo uma mulher que carrega a si mesma, olhou para Ana e seus olhos vermelhos e beijo-a cinematograficamente antes de levá-la dali. Ao sair passou encarando a pobre figura masculina com ar de quem não queria ser deixado ali, mas não sabia como pedir para ir. Bárbara é daquelas mulheres que tem o tipo de diversão que quer e quando quer. Das que dizem que não é não… Mas naquela noite ela queria todo o tipo de putaria, e ao passar do ao lado do rapaz, inclinou a cabeça e com sua doce voz de menina sapeca disse-lhe: 
– São dezessete passos para a felicidade.

O quarto era de numero sete, e isso é tudo o que importa. Todos saíram bem nas fotos e nos vídeos. A cena que ela mais havia gostado foi a das mãos dele, em seu decote e a do abraço de Ana, por trás, iluminando seus ombros, beijando-os. Acompanhando o sutiã e o deslizar das alças. Bárbara acordou no inicio da manhã. Mesmo prédio e quarto grátis, muito fácil de encontrar. Depois de farto café da manhã, acendeu um belo baseado e tomando uma cerveja sentiu-se pronta para outra história.