Com seus lindos pingentes e chaveiros!

Estava sozinho em casa tomando uma cerveja barata e fumando um prensado quando se lembrou de uma quarta-feira incrível, com uma garota que era uma verdadeira edição limitada do ser humano.

Colocou uma playlist do Cake no youtube e abriu o bloco de notas. Antes de começar a digitar, rodou um filme em sua cabeça. Com fonte estilizada para o título e tema de abertura. “A garota que queria criar uma religião”… Esse foi o título mais criativo que sua mente entorpecida conseguiu criar na hora, depois o livro ganhou um título menos-mal.

Aquela foi a quarta-feira mais quente do ano, em décadas. E como não tinham piscina, a solução lógica para qualquer ser humano de 22 anos foi refrescar-se em algum bar com litrões extremamente gelados. Esse rolê começou as 14h, e as quinze Gabi já falava para 6 bêbados sobre a religião que estava criando e o quanto ela seria grandiosa. Todos ali seriam pregadores pelos becos e corredores do país. Já estava quase convencendo os bêbados a vender pingentes e chaveiros do Santo Sid Vicious quando um velho bêbado que estava escorado na curva do balcão gritou: “- Resistir é inútil, é inútil resistir.” Riu da lembrança daquele ser ébrio tentando colocar o pulso cerrado para cima e o quão beldo estava o velhinho. Aquela gargalhada coletiva, entre eles e os bêbados do boteco permaneceria para sempre em suas memórias. Assim como as imagens de Gabi fumando e o cigarro, ou baseado, sempre sem cinza. O jeito que mexia nos cabelos falando sobre seu vira latas e o quanto ele era folgado. Lembrou-se do exato movimento de seus lábios quando ela lhe disse que gostava de estar com ele em sua casa, o brilho nos olhos ao falar sobre dar uns rolês sem dinheiro e as tatuagens que um dia faria. O beijo após dizer que admirava seus “negócios” com música e a galera que lhe chamava de “cara”.

Sentiu saudade forte ao lembrar-se que aquele foi o último rolê deles, em como ela lhe fez entender que não havia diferenças entre o gordo e o magro, ou entre o sultão e a pessoa que gosta de usar anéis de cebola roxa como chapéu. Somos todos loucos de alguma maneira, o sistema deixa a gente assim. Dizia ela.

Naquela mesma tarde ganharam uma maçã do amor mordida e foram convidados para ser apresentadores de eventos corporativos. Tomaram um doce no meio de uma selva com barracos de papelão e barracas em formato de iglu. Eram todas azuis com detalhes em amarelo. A pintura de índio, com tinta guache vermelha, que fizeram no rosto e a brisa em uma discussão que rolou entre um grupo que gostava de coca cola e outro que curtia pepsi.

Nunca mais teria um final de tarde como aquele, pirando com um DJ louco que fazia piadas sobre a democracia e ela ligando para números aleatórios e convidando pessoas desconhecidas que atendiam a cantar com ela no rádio. Uma rádio imaginária que mudava de frequência a cada ligação atendida. Quase todas foram músicas semi-inventadas e totalmente desconhecidas pelo intelecutor. O melhor é que alguns interlocutores tentaram cantar!

Aquela última grande quarta-feira de carpe dien, viera com um grande sinal que ele só percebera naquele momento. Aquele fora um dia de brilho duplo, um salto inicial para um princípio e um fim. Sem necessidade de pedir informação. Com a certeza de que se um dia um deles perdesse a cabeça, o outro estaria lá. Com seus lindos pingentes e chaveiros!

CURTIU? AJUDA NÓIS, CURTE AI OU CRICA NO CORAÇÃO E RECOMENDE ESSE CONTO PARA QUE MAIS GENTE POSSA LER… MUITO OBRIGADO, PAZ E POSITIVIDADE PRA GERAL! :) ❤ ;)