SONHAVA NUNCA MORRER

Não havia percebido que estava sozinho dentro da casa, dançava em círculos no meio da sala. Era a primeira noite daquele verão. Os amigos eufóricos, em frente a casa, falavam de suas economias e improvisos calculados. Do lado de dentro, tomando mais um latão de breja ao lado da janela da lavanderia ele pensava nas últimas três noites. Tráfico de morfina e dentes trocados
 Não tinha ninguém para andar de mãos dadas, não sentia cheiro de emoção no amor. Sua vida nunca seria cheia de flores e talvez, algum dia, alguma pessoa enxergaria isso. Que sempre iria preferir mais uma cerveja, ou baseado, à ter por quem chorar.
Antes de juntar- se aos amigos na calçada em frente ao local da festa, observou o grupo de amigos encostados nas grades do portão da garagem e soube que algum dia todos partiriam, mas as luzes continuariam acesas. Não sairia de sua zona de conforto, mas sempre seria o teto de vidro da galera.
 Foi acendendo o último cigarro do maço que percebeu ser apenas um homem que sonhava nunca morrer.