tire um tempo para iluminar

Fotografia: Joshua Earle

aos 20 anos eu já desisti da minha existência incontáveis vezes. desde os meus 15 anos eu aperto o botão de emergência duas vezes ao ano. não que eu me orgulhe disso, mas também não me envergonho. não há porque ter vergonha por fraquejar. e eu não tenho. só nesses últimos 5 anos eu penso no mínimo uma vez por dia na forma em como vou morrer. não, isso não me assusta. a morte nunca foi um problema. a falta de vida, sim. há uma diferença, tem quem acredite que não, mas tem. a morte é o fim de um ciclo, a falta de vida é como permanecer no ciclo mas não mover-se.

sempre teve algo que me destacou. desistir, tirar as mascaras, apertar todos os botões nunca foi o fim, sempre me pareceu como um modo de renascer. sabe, é como abrir a porta mas não sair. é como colocar um cigarro na boca e não acender. é ouvir o eco, mas não lhe dar força. mas, infelizmente, nem todos conseguem enxergar dessa forma. há quem acredite que a queda do penhasco é muito mais prazerosa do que o observar do pico.

sabe o que mais me dói? saber que todos nós somos um pouco responsáveis por essas vidas. sim, nós somos. acredite você ou não, estamos todos interligados por uma força universal, cujo eu chamo de amor. talvez se fossemos mais atentos, se não fossemos tão cegos pelo egoísmo, se não olhássemos tanto para o próprio umbigo, poderíamos observar que ao nosso redor inúmeros olhos gritam por socorro. talvez se não poupássemos tanto as nossas palavras de amor para “a hora certa”, poderíamos salvar vidas e iluminar almas que estão na escuridão.

tire um tempo todos os dias antes de dormir, só pra se perguntar se colocou um sorriso no rosto de alguém, se fez alguém se sentir especial, se foi gentil. caso a resposta seja não, tem algo de erado. sim, o mundo precisa de trabalho, dinheiro e todas essas coisas mais que consideramos importantes demais. mas o mundo também precisa do essencial e, o amor, ele é essencial.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.