“O que é ser feminista?” por Giovana Godoy

A mim foi dada a difícil missão de definir o feminismo. E olhando para trás, eu vejo quanta coisa mudou para mim, como pessoa, desde que o conheci.
Uma das coisas que eu adquiri como feminista foi consciência, e descobri que ela pode ser dolorosa. Pode haver dor em buscar para um grupo direitos que lhes são negados desde as primeiras sociedades consideradas livres.
A militância nunca me trouxe vantagens como indivíduo, mas sim como parte de uma coletividade. Quando eu sofro misoginia (aquela famosa superioridade que homens acreditam ter quando se acham no direito de me agredir verbalmente ou fisicamente), meu feminismo não me impede de sofrer por isso. Meu feminismo só me garante que eu não sofro sozinha e que eu tenho irmãs a quem recorrer. Mas me traz mais sofrimento quando é minha vez de socorrer a dor de uma irmã. O feminismo é estender a mão naquele momento em que um homem não é capaz de fazê-lo, é afirmar que mesmo que a revista e a TV te digam que para ser linda você deve ser magra, loira do olho azul. Você, mulher, é perfeita, e não há nada de errado com o seu corpo, que você é linda do jeito que você é. Ser feminista é afirmar: irmã, você não precisa de um homem para estar completa, e se mesmo completa, você quiser se relacionar com um homem, que ele não tem direitos sobre você. Apenas você tem o direito de escolha sobre o que lhe diz respeito. Só a você cabe decidir o que é melhor. Ser feminista é conhecer o terror em andar de noite sozinha e ficar em paz ao ver que ao seu lado, naquela rua, caminha outra mulher. Feminismo é o suporte que faz de nós, mulheres, mais seguras, mais fortes, mais unidas. O feminismo me apresentou o porquê das amarras que nos prendem. E convido você a conhecê-las, para que nós possamos lutar contra elas. Vamos Juntas?
Imagem: sem título (grafite), de Panmela Castro. 2015
