Crítica, amor e ódio.


Poucas são as coisas mais contraproducentes que a crítica. Não a crítica diária, de família, do chefe, de fofoca. Não. Me refiro à crítica especializada.

Quer dizer, quem é o crítico?

É pessoa que não se aventura a fazer aquilo que tanto avalia. Ou até faz, mas com maestria ínfima. Tão ínfima que, em lugar de perder seu tempo produzindo, restringe-se a RECLAMAR (ok, não serei injusta. Os críticos também sabem elogiar. Mas raramente, não é?).

De todo modo, nunca abandono a sensação de que se tratam de pessoas ruins. Que do alto de sua soberba, de seu ego, vivem de pôr defeito naquilo que outros fizeram, com a ilusão de que ao fornecerem sua classificação contribuem socialmente de alguma forma. E põe defeito somente por NÃO CONSEGUIR fazer melhor. E recusarem se prestar ao papel de maneira medíocre. Daí condenam os medíocres. E criam os gênios.

O que faz o gosto deles ser superior ao meu? É claro que existe a técnica. Mas porque essa técnica é mais importante que meu subjetivismo? Por que as coisas que passam por seu crivo são superiores? O que eles fazem efetivamente de tão especial a ponto de terem tomadas como legítimas suas opiniões? Não sei. Não vejo.

A verdade é que eu também queria ser crítica. Imaginem a vida de um crítico de cinema, viver de ver filmes, ter por dever comparecer a festivais e escrever sobre sua experiência? Imaginem o que é ser um crítico gastronômico (!!!!!). Provar das melhores comidas, dos melhores chefs, da comida-conceito-gourmet-de-verdade (a mera imaginação do desempenho deste papel já é suficiente para causar sensações quase orgásticas).

E escrever sua experiência.

Mas como não possuo dom algum, sequer para a escrita, limito-me a criticar.

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