Frida pinta a dor

Essa moça séria aqui do lado se chama Frida Kahlo. Mas não pense que por causa disso ela não é legal — ela é o máximo! Mas na vida da Frida nenhuma sensação deve ter sido mais presente do que a dor.

A Frida nasceu no México, e ainda bem novinha teve poliomelite — talvez você já tenha ouvido falar esse nome porque teve que tomar uma vacina para evitar essa doença, que é muito grave: a poliomelite pode matar, e muitas vezes deixa a criança que sobrevive com problemas sérios. No caso da Frida, ela mancava desde criancinha porque a polio afetou a perna direita dela para sempre. O pai da Frida, para ajudá-la a se recuperar da doença, incentivou que ela praticasse muitos esportes que naquela época as pessoas não achavam que era para menina: futebol, natação, luta… Bem, hoje a gente já sabe que não existe essa coisa de atividade de menino e de menina, mas quando a Frida era criança isso era bem raro!

Frida era uma jovem de 18 anos em uma escola preparatória — uma das poucas da sua época! — e era uma menina como outra qualquer: alegre, estudando bastante (queria ser médica!), com um namorado da sua turma. Mas tudo mudou quando ela sofreu um acidente muito grave: o ônibus em que ela estava bateu, e Frida quase morreu. Ela sobreviveu, mas nunca mais seria como antes: alguns dos seus machucados nunca melhoraram totalmente, e ela passou a viver com muita, muita dor.

Quando pode sair do hospital e continuar sua recuperação em casa Frida era uma jovem presa em uma cama, sentindo muitas dores que sabia que provavelmente iam ser parte da sua vida para sempre. Não parece uma situação que faria alguém ter boas ideias, não é mesmo? Mas foi deitada nessa cama que a Frida resolveu começar a pintar, no início só para passar o tempo mesmo, porque nessa época não tinha uma internet cheinha de filmes e coisas para ver e amigos para conversar. E ela pintava o que doía demais para ficar preso no coração: pintava seu corpo machucado, dolorido, cheio de pinos e metais para tentar colocar a sua coluna no lugar. Quando vejo uma dessas pinturas da Frida uma primeiras coisas que penso é: “ai! Isso deve doer!”. E doía mesmo. E você, o que pensa?

A dor desse acidente passou a acompanhar a Frida, mas não impediu que ela continuasse pintando, fazendo amigos e estudando e conversando sobre as coisas que ela acreditava: passou a participar de uma Liga de Jovens Comunistas, aonde ia para conversar sobre como fazer um mundo mais justo, um mundo com menos dor. Frida sabia que tinha muita gente que sofria tanto quanto, ou até mais do que ela, e não era por causa de um acidente de ônibus.

Frida acabou se casando com um pintor que ela admirava muito, Diego. O trabalho da Frida começou a ser admirado no mundo todo: conforme participava de exposições nos Estados Unidos e na Europa as pessoas ficavam ao mesmo tempo encantadas e chocadas com a dor e a beleza que a Frida conseguia mostrar nos seus quadros, tudo ao mesmo tempo… Mas oras, não é assim que é o coração da gente, tudo ao mesmo tempo?

Frida pintando na sua cama, aonde acabava ficando mais tempo do que gostaria!

Desde o início da carreira como pintora Frida se tornou uma especialista em auto-retratos (pinturas dela mesma). Quando perguntada sobre se pintar tanto, Frida respondeu: “Me pinto porque passo muito tempo sozinha, e por isso sou o assunto que conheço melhor”. Que coisa interessante para a gente pensar, né? Frida também dizia que não pintava sonhos, pintava a realidade. E a realidade dela era de muita dor. Tinha a dor do acidente, e outras que vieram ao longo da vida: Frida queria muito ter filhos, mas por causa dos machucados do acidente sofreu vários abortos espontâneos (quando a gravidez termina por alguma coisa do corpo, sem você querer). Outra coisa especial do trabalho dela é que usava muitas cores, e cores vibrantes, bem como era típico da cultura do México, mas bem diferente da arte que era feita na Europa.

Conforme o tempo passava Frida ia ficando mais famosa, e a sua saúde ia piorando… Ela fez muitas cirurgias, e passou muito tempo em hospitais tentando corrigir a sua coluna e diminuir as dores. E enquanto tudo isso acontecia ela pintava e pintava. Frida tinha orgulho do seu trabalho: quando a primeira exposição inteirinha sobre ela foi ser inaugurada no México, os médicos explicaram a Frida que ela não poderia ir. Ela disse: “o quê? Vou sim, e vou de qualquer jeito!”. E foi mesmo: Frida chegou à exposição de ambulância, e passou a noite inteira deitada em uma maca que tinha sido colocada no meio do salão. Frida era assim, que nem as suas pinturas: ao mesmo tempo morrendo de dor e orgulho, chorando de dor e de alegria.

Frida precisou amputar uma perna, e afinal já não conseguia mais mesmo se levantar da cama. Morreu aos 47 anos, mas não fique triste não! Ela deixou muitos quadros, que hoje estão espalhados por museus do mundo todo, para todo o mundo poder admirar. Parece que é mesmo verdade o que Frida dizia: “Pés: para que preciso de vocês se tenho asas para voar?”

Dei uma piscadinha de volta para a Frida.
Like what you read? Give Ó que coisa, essa menina! a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.