Yusra Mardini nada pelo espírito olímpico

Essa menina olímpica é a Yusra Mardini, e ela era mesmo uma menina até bem pouco tempo: só tem 18 anos!

Créditos: Helena Salomão

A Yusra nasceu na Síria. Você já deve ter ouvido falar da Síria, mas provavelmente só coisas não muito boas. Há alguns anos esse país está em uma guerra horrível mas, assim como a Yusra, a Síria tem uma história fantástica: é naquela área que encontramos os registros mais antigos da espécie humana, há setecentos mil anos atrás! Também foi por ali, em uma área chamada crescente fértil, que as primeiras civilizações com agricultura começaram a se desenvolver. Olha aqui algumas fotos da Síria:

Foi nesse país que a Yusra nasceu, cresceu, e começou a nadar. Ela queria ser uma nadadora profissional e ir para as Olimpíadas — ela já era até uma atleta com apoio do Comitê Olímpico da Síria! Mas aí a guerra começou, e foi piorando, piorando… De repente Yusra se viu treinando em piscinas descobertas, porque o teto tinha sido derrubado por bombas. Às vezes a guerra estava tão ruim que não dava para treinar, e logo não dava para fazer mais nadinha lá na Síria. Ela não queria sair da cidade dela, mas quando as coisas ficam tão ruins assim as pessoas tem duas opções: podem continuar arriscando as suas vidas, torcendo para a guerra acabar, mas pelo menos estando nas suas casas e cidades. Ou podem fugir desse lugar e tentar uma vida melhor, em paz, em outro lugar — um lugar que a pessoa não conhece, e chegar nesse lugar novo costuma ser bem perigoso. Essas pessoas, que vão morar em outro lugar fugindo de uma guerra, são chamadas refugiados.

A Yusra, com dezessete anos, resolveu fugir. E fez o que muitos sírios fizeram desde que a guerra começou: foi até a Turquia, e de lá arranjou um barco para levá-la até a Grécia, de onde ela pode ir para qualquer lugar na Europa. Mas esse trajeto todo é muito perigoso: passa por zonas de guerra, e como esse pedaço de barquinho tem que ser feito escondido ele também é muito perigoso. Muitos barcos naufragam!

A Yusra estava viajando com a irmã dela, decididas que mereciam uma vida mais feliz do que a que tinham no meio da guerra. Elas foram colocadas em um barquinho que só tinha sido feito para seis pessoas, mas vinte foram colocadas dentro dele para tentar chegar a Grécia. Pouco mais de meia hora depois de terem saído da Turquia o barquinho não aguentou o excesso de peso, e começou a naufragar. Desesperadas, as pessoas descobriram que só quatro sabiam nadar: a Yusra, a irmã dela, e mais duas pessoas. A Yusra sabia que se o barquinho afundasse todo o mundo ia se afogar, então ela e essas outras três pessoas mergulharam na água, se amarraram nas cordas do barco e…

E aí a Yusra fez o que ela faz melhor; fez o que ela fazia na Síria; fez o que ela fugiu da Síria para poder continuar fazendo: ela nadou. E nadou. E nadou. Nadou por mais de três horas em um mar gelado, puxando com mais três pessoas outras dezesseis. Finalmente, conseguiram chegar à Grécia: Yusra, sua irmã e mais duas pessoas não só sobreviveram à travessia como salvaram outras dezesseis vidas no caminho.

Yusra treinando em seu clube em Berlim

A viagem da Yusra ainda não tinha acabado: ela precisava chegar em um lugar que entendesse tudo o que ela passou, que não ficasse zangado por ela estar se mudando para lá, e que falasse assim: “vem cá dar um abraço, vem? Vamos ver a piscina que você vai nadar.”. A Yusra acabou encontrando esse lugar em Berlim, na Alemanha: lá uma equipe de natação soube que ela era nadadora e a chamou para treinar com eles. A Yusra estava nadando muito bem, e bem feliz por ter conseguido fugir da guerra e continuar nadando, quando surgiu o convite mais legal de todos: nadar representando um time de refugiados nas Olimpíadas do Rio! Uau!

A equipe olímpica de refugiados na cerimônia de abertura

A Yusra ficou muito feliz, e explicou o porque. Fala, Yusra!

- Eu quero que as pessoas entendam que os refugiados são pessoas que tinham uma casa, e perderam essas casas não porque queriam fugir e ser refugiados, mas porque são pessoas que tem sonhos nas suas vidas e precisaram ir embora.

A Yusra acha que a participação dela nas Olimpíadas é importante para mostrar para todas as pessoas que elas deviam ter coragem para seguir seus sonhos. E quando perguntaram sobre o quão longe a preparação dela na Alemanha a permitiria chegar, ela sorriu e disse: “Eu acho que posso fazer o que eu quiser.”

E podia mesmo. No dia 6 de agosto a Yusra pode finalmente cair na piscina no Rio de Janeiro e nadar representando o time de refugiados. Ela não passou para as semi-finais, mas ganhou a prova classificatória dela! A Yusra só tem dezoito anos, e já está pensando nas próximas Olimpíadas. Vamos todos estar torcendo por você, Yusra!

A Yusra nadando nas Olimpíadas do Rio 2016