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“Ar’rebenta a bolha” do Empreendorismo em Portugal.

Ontem rebentou a bomba em Portugal. João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria e rosto do Web Summit em Lisboa, demite-se na sequência de alegado envolvimento num caso de corrupção.

Há já algum tempo que queria ter escrito este post, mas esperei até ser pertinente. E esse dia chegou.

Apesar de ser a 4ª geração de empreendedores da minha família, só desde que inciei o meu próprio negócio, em Outubro de 2016, é que me apercebi do surrealismo quase cómico — não fosse real — do ecossistema de empreendorismo português.

Não obstante o que se possa veicular pelos media, as incontáveis incubadoras, centenas de startups e eventos congéneres, em Portugal não se empreende.

Em Portugal sobrevive-se a um sistema criado por quem desconhece totalmente o que significa empreender e usa os empreendedores para promover programas políticos desprovidos de seriedade ou eficácia.

Costumo dizer que qualquer pequeno café ou negócio que sobreviva em Portugal aos 2 primeiros anos de actividade — sem compadrios ou favorecimentos politicos — devia entrar para o Guiness. Isso sim, é um feito digno de reconhecimento!

Em Portugal poder político e startups estão demasiado ligados. Tão conectados que o autismo e inexperiência do primeiro contamina as segundas, deixando-as vulneráveis a mudanças partidárias e mediatismos.

Em Portugal a maioria das Startups que aqui nasce são levadas para fora para poderem resistir a um sistema fiscal e laboral asfixiante e infléxivel, que apenas promove a morte lenta de qualquer negócio.

Em Portugal a esfera privada prefere acusar os políticos a fazer diferente. Não percebe que juntos somos mais fortes e podemos ser catalizadores da mudança, mas para isso precisamos de cooperar, partilhar conhecimento, deixar cair preconceitos de género, idade, educação e socio-económicos ou abandonar estereótipos do que é ou não um empreendedor.

Empreendedor é o que cria, o que dá emprego, o que produz mas também o que embarca nos sonhos dos outros e lhes dá estrutura e continuidade. Empreendedor não tem idade ou sexo, não tem curso, não tem raça. Empreender é parte de todos nós.

Mas em Portugal existe também uma coisa que vale mais que qualquer cor política ou preconceito. Existem empreendedores portugueses.

E mais! Em Portugal começam também a existir empreendedores e investidores estrangeiros, pessoas que reconhecem o potencial do que por cá se faz e que estão determinados a promover o seu sucesso.

E isso deixa-me feliz e esperançosa.

Eu sei que até agora o panorama não foi animador mas empreender é acima de tudo um exercicio de coragem, optimismo, resiliência e de ver para além do que os outros dizem ser possivel.

Em Portugal não se fazia empreendorismo, mas a partir de hoje faz-se.

Filipa Larangeira, uma empreendedora portuguesa com certeza

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