Abjeto Indireto
Pergunto-me se será na tua cama ou na minha. O entrecruzar das nossas cruzes é esperado, a questão mesma é onde. Como será em movimento ininterrupto, aonde iremos depois e no entremeio? Preferes no chão? O que posso fazer além de anuir? Mas, sabe, nós imaginamos bem qual será o preço. Será que a moeda corrente cobre? Será que o cobre que escapole de teu útero me acobertará?
Perdoe-me, fugi do personagem que só fantasia com o fugidio, quase te toco nas cochas - perdão mais uma vez, desculpe-me. É que soa dificílimo sustentar essa argamassa que criamos, eu e tu. Façamos assim: me escreve um conto - enquanto isso, meus dedos escorrem pelos lençóis e tocam o colchão: finjo que é sua cicatriz mal curada. Perdão. Mais uma vez sucumbi a esse desejo desprezível. Até amanhã, desculpa.
Mas no mesmo horário? Tudo bem.
