Bom, eu não sou o que acho que sou: não, definitivamente não. Da mesma forma que também não sou o que eles têm de mim: eu não sou o que minha professora-tia de religião do fundamental esperava que eu viesse a me tornar, quando, de uma maneira bem descomplicada, me explicou todo o causo de Adão, Eva e da maçã; e nem o que a diretora do meu colégio esperava que eu fosse, principalmente quando eu recusei tirar fotos para serem estampadas em outdoors de Juazeiro, como propaganda mercadológica tão característica desse ramo de negócios que só nos ensina a ter uma manca certeza de que o vestibular é o único caminho necessário pra se ter gentisse.
Essa humildade de vitrine minha foi bem enriquecida em orgulho de guri, na verdade. (Um beijo, neide!)
A questão é que nunca tive grandes aptidões: nunca fui um exímio leitor, nem profícuo galanteador de primeiros amores.. Muito menos carismático por concessão de dom natural. O que me ajudou pra valer a fazer qualquer coisa das que fiz foi um tipo de inclinação, sempre a mim familiar, a obsessões: uma certa facilidade para admirações, e idealizações: coisa de quem não cresce ou vira pragmático de língua esperta. Eu creio descalçamente no que quero acreditar, sem medo de pisar em vidro. Acho que o melhor que já fiz foi agradar ao meu eu menino. Como eu não tinha perspectiva nenhuma, eu só precisei seguir à esmo.
Já sou algo.
