Guerra Santa
Muitos traçam limites e criam territórios isolados de morada para o solitário e indesejado Narciso. Querem-no — mesmo que ele seja, na verdade, muitos! — ; querem-no mesmo às escondidas, sob abóbodas enferrujadas, nas grutas só frequentadas por seus ecos e gemidos.
Esses engenheiros sociais, com suas aritméticas e geometrias, têm mais experiência que nós, os bocós. Aprenderam a brincar com os contrários e impressões engraçadas pelas quais o povo que assiste ao espetáculo se engana.
O falar, traquejar, calar ou balbuciar nosso faz nascer um belo Narciso, não unicamente quando é retumbante e faz romper-se o chão por tamanho espetáculo, mas também quando se faz notar figura de autoridade corretiva, ainda desapercebidamente: o Censor Oficial, respeitabilíssimo representante do Departamento de Contabilização e Controle de Surgimentos Narcisísticos, é observado, afinal, por nós, anestesiados por nossas salivas, com notável admiração.
Narcisos empalam Narcisos na terra dos reflexos.
