Joãozinho detém um olhar melancólico - o olhar de quem pede. Dispensa elogios diretos, apesar de não se furtar a acariciar a si mesmo no escuro como se uma reluzente medalha fosse. Requer os fardos de moças para tomar como seus, bordando-se como enigma, epitáfio e túmulo. Desmerece a mesmice dos gráficos trabalhados, pois crê mesmo é na palavra, naquele som espontâneo que rasga os órgãos acústicos. Mas não sabe de nada, o Joãozinho. É túmulo alheio na medida em que ouve, e é seu próprio na proporção em que emudece. Essas moças, diz ele - quando de fato diz algo -, são todas as mesmas, não sacam a resolução, estão à mercê do mundo, são umas babacas, merecem saber o que sei. Será que merecem, Joãozinho? Será tu quem sabe? Há ciência para fora de ti? O mundo, da gênese ao fim dos dias, é para ser sabido? Há respostas como há maratonas, apesar da mente pedir descanso e das pernas se desequilibrarem. Descanse, joão, e, pelo amor de deus, seja gente, afinal.
