Os olhares do moço, temperados de inevitável duplicidade, são comoventes. Não sabe como proceder no mundo real. Somente nos seus sonhos eróticos mais extravagantes permite-se esquecer da vigilância viril que o acompanha nos leitos das amantes - sob a ordem da vigília, por outro lado, não se esquece por um único instante do dever do gozo. Na verdade, o que se afigura como imposição não é precisamente o seu gozo, mas o das suas companheiras. Deseja captar, dos espólios de suas frequentes noites acompanhadas, um resquício que seja de algo que o faça persistir. Quer se fazer eterno, nem que seja através das mentiras com as quais elas tanto lhe fazem carícias doloridas.
Aqui a eternidade encena papel vital: apesar da feição cínica do moço - indiferente, autocentrado, provedor -, a qual requer muito esforço para se manter, não lhe sobra muita energia para a manutenção da imagem de si, tanto que lhe é vital que as observações dos outros o determinem frente ao mundo, que o forjem para uma eternidade alternativa na qual não há impasses e onde reside a realização do sujeito romântico.
O romântico necessita de um espaço aberto onde seja aceito, as revoluções sejam possíveis e a condição humana, completa.
Se, por acaso, ao redor do moço as amantes não criem uma fortaleza de aspirações e expectativas, ele sente-se sem chão e calção. Necessita das suas instruções para prosseguir.
