
Ser violento, segundo Sartre, não significa retornar à nossa bestialidade ou inhumanidade mas sim afirmação do próprio humano. A violência reclama, pela sua própria existência, o direito à violência, esta é, tal como qualquer acção, afirmação de um valor, mas, simultaneamente, sendo esta destrutiva não pode produzir um objecto; é uma arma de destruição, elimina os obstáculos para chegar ao seu fim. Esta implica confiança no Bem, ela quer ordenar e impôr o bem. A violência é sobretudo destruição, não o ponto final da acção.
Sartre pára de observar o acto violento para passar a concentrar-se nas suas condições, remetendo para a escassez. Mas, neste caso, a violência aparece novamente como retaliação contra a violência exercida pelo Outro, a violência é sempre contra-violência (Sartre, Crítica).
…posso colocar a destruição como meio para atingir um fim superior, relativamente àquilo que (já) é. A violência, tomada como uma espécie de salto esperançoso comporta sempre incerteza, por oposição à certeza da lei e da ordem e é por isso que ela é ou era, em certas situações concretas, justificável.