27 mil empurram, Botafogo não sai do zero e decisão fica para Natal

EMOCIONOU! Se dependesse só dela, torcida, a fatura já estaria liquidada nas quartas (Foto: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

Será sofrido, como de praxe.

Na noite desta sexta-feira (30), 27 mil botafoguenses — o maior público em 15 anos — arrepiaram, pintando as arquibancadas de vermelho, branco e preto e fazendo uma linda festa no estádio Santa Cruz. Apesar do gigante apoio da massa, o Botafogo não conseguiu superar o ABC-RN e abrir vantagem na disputa pela vaga na Série-B de 2017. O combativo duelo, válido pelo jogo de ida das quartas de final do Campeonato Brasileiro da Série-C, terminou 0 x 0. O resultado poderia ter sido melhor, porém não foi de todo ruim.

Ainda está tudo aberto, indefinido. A decisão fica para o estádio Frasqueirão, casa do ABC, na sexta-feira (07), às 19h00. O confronto final definirá qual dos dois clubes estará habilitado a disputar a segunda divisão nacional no próximo ano. Um novo 0 x 0 leva a decisão às cobranças de pênalti. Empate com gols classifica o Botafogo. Ou ainda, quem vencer, por qualquer placar, leva.

O JOGO

Era uma verdadeira decisão, não valia pouco. Por isso, em boa parte dos 98 minutos de confronto, poucas chances de gol efetivamente criadas — a maioria delas proveniente de erros na defesa adversária — e muitos esforços aplicados do meio de campo para trás na marcação. Não à toa, muitas faltas cometidas de ambos os lados, gerando um total de 8 cartões amarelos.

A posse de bola, na maior do tempo, acabou monopolizada pelos botafoguenses, donos da casa lotada. No entanto, dado o ferrolho do time alvinegro, os passes concentravam-se no campo de defesa. As jogadas mais verticais provinham de ligações diretas, quase nada efetivas. A ronda de jogadores do ABC do meio para frente incomodava a saída de bola, obrigando os lançamentos. O ritmo morno prevaleceu em bons momentos. Em alguns outros, a emoção do torcedor foi colocada à prova.

Aos 20 minutos, a primeira chance do Botafogo. Zotti cobrou falta, o goleiro Édson saiu mal e Tiago Marques, desajeitado, desviou para fora, muito perto da meta. Aos 38, livre no segundo pau, Pituca completou cruzamento por cima da trave. Aos 45, em falta a centímetros da área, Rodrigo Thiesen pôs força demais, dando o arremate por cima.

Na etapa final, a equipe visitante resolveu sair mais ao ataque e, aproveitando vários desencontros da defesa botafoguense, tanto de Filipe e, em especial, de Matheus Mancini, levou perigo. Aos 12 minutos, após duas cabeçadas por cima do Pantera, Jones Carioca puxou contra-ataque e deu lindo lançamento a Nando nas costas de Filipe. Dentro da área, o jogador carimbou o goleiro Neneca, bem colocado.

Aos 26 minutos, talvez, a maior chance do Tricolor. Tiago Marques recebeu na ponta direita, driblou dois marcadores e chutou para grande defesa de Édson. Ao seu lado, Serginho e Isac estavam livres, melhor posicionados a finalizar. 10 minutos mais tarde, quase gol do alvinegro. Erivelton recebeu lançamento por trás da zaga e finalizou à esquerda do gol de Neneca.

Aos 51 minutos, o último lance. Diego Pituca cruzou, Isac ajeitou de cabeça e Carlos André, na pequena área, tentou um desajeitado voleio, finalizando por cima sem perigo.

Muito participativo, Tiago Marques fez tudo, menos o gol (Foto: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

A ESCALAÇÃO E AS SUBSTITUIÇÕES DERAM O QUE FALAR…

Decidi destacar este espaço da parte “O JOGO” para dá-lo uma atenção especial. Costumeiramente, meia hora antes do início do embate, divulgaram a escalação do Botafogo e com surpresas.

O centroavante Isac, titular no jogo anterior contra o Macaé-RJ e autor de 4 dos 7 gols marcados pelo Pantera nas últimas 5 partidas, voltava ao banco. Mesmo em fase ruim, Tiago Marques seria o titular. Além dele, o atacante Cléo Silva, o qual vinha dando boa dinâmica ao lado direito do ataque botafoguense, ficou no banco reservas e nem entrou. Diogo Campos, que não vinha atuando, começou de titular.

Questionado pelos repórteres locais na entrevista coletiva após o término da partida, Márcio Fernandes disse que Tiago Marques vinha sendo o titular nos últimos jogos e não entrou contra o Macaé-RJ por estar pendurado com 2 cartões amarelos. Já Cléo Silva, de acordo com o treinador, teve febre durante a noite anterior e terminou poupado.

Com a escalação explicada razoavelmente, vamos às substituições. A primeira, logo na volta do intervalo, Rodrigo Thiesen por Guly Prado. O meio de campo estava desarticulado, era preciso melhorar a saída de bola. De certa forma, o recém-chegado Guly fez isso. Entretanto, sacar Thiesen foi uma medida arriscada (era preferível ter tirado o perdido Derli), ainda mais colocando um jogador pouco ambientado. Algumas vez, o Guly perdeu a posse de bola no próprio campo de defesa.

A segunda, aos 15 minutos, Diogo Campos por Isac. Diogo mal, pouco participou. A presença de área de Isac incomodaria a defesa. A terceira, aos 33, Carlos André — bem nos treinos, segundo M. Fernandes — por Tiago Marques. Combinadas as duas mudanças, tivemos o famoso troca-troca “6 por meia dúzia”. Do ataque inicial, ficou Serginho. Enquanto isso, o meio de campo pouco criativo não recebeu grandes aquisições. Entre os reservas, os meias Thiago Primão e Helton Luiz eram boas opções.

FICHA TÉCNICA — BOTAFOGO 0 X 0 ABC/RN

Cartões amarelos: Rodrigo Thiesen, Zotti, Derli e Matheus Mancini (Botafogo); Echeverría, Léo Fortunato, Alex Ruan e Anderson Pedra (ABC-RN);

Público: 27.202 pagantes; renda: R$ 143.435,00

Botafogo: Neneca; Daniel Borges, Filipe, Matheus Mancini e Diego Pituca; Rodrigo Thiesen (Guly), Derli e Zotti; Serginho, Tiago Marques (Carlos André) e Diogo Campos (Isac). Técnico: Márcio Fernandes.

ABC-RN: Edson; Filipi Sousa, Léo Fortunato, Cleiton e Alex Ruan (Gustavo Bastos); Anderson Pedra, Guedes, Echeverría (Erivelton) e Lúcio Flávio; Nando (Caio Mancha) e Jones Carioca. Técnico: Geninho.