Para que (e a quem) serve o atual jornalismo de games brasileiro?
Felipe Pepe
44754

Cara, que surpresa legal encontrar esse texto aqui.

Cinco anos atrás, eu tava começando com uns amigos o GAMESFODA — na verdade não bem comecei, como fui convidado. Quem realmente comandava o projeto eram o Arthur “Tuba” e o Marcellus, que já eram amigos meus da época do Orkut, e resolveram fazer o site após um Twitter que acidentalmente deu mais certo do que a gente esperava e devido a um sentimento de irrelevância e tédio com a mesmice da mídia brasileira da época.

Assim que o Cellus me convidou, eu já tinha a exata ideia do que queria fazer — uma coluna focada em jogos retrô e clássicos desconhecidos, que tinha nascido como ideia pra um site de um outro amigo meu que nunca deslanchou, e acabou saindo no site como o New Age Retro Gamer. Minha ideia vinha justamente por gostar bastante de emulação e saber que ainda era uma alternativa plausível pra muita gente que não tinha outra forma de jogar, e às vezes só queria uma recomendação de jogo bacana pra rodar no seu Zsnes. Nessa época o Steam, MOBAs e F2P ainda não tinham deslanchado como fizeram hoje, então fazia sentido.

Enquanto eu falava de meus jogos antigos, o Tuba, Cellus e o resto da equipe sempre faziam o que quer que tinham de melhor — seja falar dos artistas brasileiros, de jogos indies, ou fazer análises de design por uma ótica pouco explorada. Foi uma época divertida e criativa, e na melhor época a gente fazia exatamente aquilo que queria. Ainda me orgulho da ideia de termos feito um podcast ao vivo só pra gente ter a interação direta do público, por mais que hoje eu reconheça que provavelmente fui bem mais chato do que devia ter sido ao empurrar a ideia do “tem que ser ao vivo”.

Infelizmente a vida adulta e projetos pessoais obrigaram a gente a diminuir o output do site, e hoje ele existe quase que como um legado — a gente escreve esporadicamente, mas só quando dá, o que é cada vez mais difícil. Eu parei de escrever sobre jogos nesse meio tempo e resolvi me dedicar à escrita criativa, mas ainda agradeço a esse tempo por ter me dado o ânimo e a descoberta de que gostava de escrever.

Acho que isso tudo que falei aqui é só minha forma de falar que eu curti saber que de algum modo a gente ainda é referência, por mais que não possamos mais fazer um trabalho da forma que fazíamos antes. O Tuba, que fazia o Que Fase!, hoje tá ocupado fazendo o seu próprio jogo. Quando começamos o projeto a ideia era justamente essa; a de fazer um jornalismo independente que não só fosse divertido e irreverente, mas também relevante pro nosso público. Hoje não temos condição de fazer aquilo da mesma forma, mas acho que ainda fica aí uns confluência de objetivos — e por mais que eu tenha me afastado bastante da mídia, a esperança de que venha mais galera que faça algo diferente e relevante, algo que realmente condiz com a realidade do brasileiro.

Parabéns (e obrigado!) pela análise e pelo texto. Ler isso foi muito, muito legal.

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