O oito


Aracaju, 31 de Dezembro de 2017/1º de Janeiro de 2018, 01:34.

Isso aqui é um prelúdio.

Eu vejo o número 8 na tela do meu celular e me assusto. Eu me assusto pois eu não lembro do número sete. Para todos os intuitos e propósitos, ele não existiu. Se existiu, eu apaguei da minha mente; mas até onde sei, ele não existiu.

Foi como um ano saltado. Eu me distraí, e num estalar de dedos, como num passe de mágica, ele não estava mais ali. Fui dormir, em algum dia de 2016, acabei pegando demais no sono e acordei em 2018. Todas essas histórias, essas metáforas, são mais plausíveis de credibilidade para a minha cabeça do que acreditar que 2017 existiu.

Percebi, nessa madrugada de ano novo — uma que fiz questão de passar sozinho, por conta própria, pois sabia que era o melhor para mim nesse momento — que eu só acordo para certas coisas quando perco algo importante. E nesse caso, só agora eu percebi — perdi o ano. E ele absolutamente, definitivamente não volta.

Que bom que eu aproveitei esse vórtice temporal — que é como considero a madrugada — para me organizar. Aos pseudões que fazem questão de dizer que o tempo é só o agora, uma refuta: a divisão do tempo é uma dádiva. Pois faz com que nos apossemos dele e o utilizemos para nosso proveito. E isso é melhor do que tempo perdido.

Que venha o oito.


Aracaju, 1/1/18–01:55.