Hey Libby!

Não vamos ficar quietinhas.

Ok vamos falar de Libby. Libby Masters precisamente. Quando #mastersofsex estreou, logo de cara a série captou minha atenção e de muita gente. Mas tinha um problema ali. Eu não entendia Libby Masters. Era a década de 50, e embora tenha feito trabalhos sobre a construção da identidade feminina no passar dos anos, logicamente não vive aquela época. Faltavam umas boas décadas para vir ao mundo, quando minha própria mãe na época da Libby era apenas uma garotinha.

Como não entendia a Libby passando-se a primeira temporada preferi, para encurtar a história rotula- lá de chata. Libby Masters era a personagem mais chata de másters of sex. Ponto! Sentenciei. Seus diálogos me irritavam, as cenas seguiam quebrando minha paixão pela trama. Até que houve um click. Libby se interessou por alguém além de seu marido. Libby largou Bill emocionalmente. Ela não era mais aquela mulher tão ingênua, presa a convenções que a tolhiam. Ela estava perdida, mergulhada na luta pelos direitos civis ao mesmo tempo em que seguia de encontro a si mesma. Ela se encontrava. Ganhou contornos próprios e trama envolvente.

Então bingo o problema era eu afinal. Uma garota moderna, nos dias de hoje não consegui entender porque uma mulher se submetia a um casamento fracassado, com um cara que não gostava dela por quê? Mas isso não existe até hoje. Essa falsa áurea de desprendimento conveniente ainda esbarra na palavra mágica, na noção imaculada de família hoje, imagina naquela época.

Acabou a quarta temporada agorinha. Libby floresceu conforme a sociedade a deixou mais livre. As convenções não seriam mais amarras para essa indomável mulher que perdeu sim anos preciosos da sua juventude presa, porém, esse anos a fizeram ter pressa para viver. Nada é proibido, julgado. O não precisar de mais nada nem ninguém para ser feliz além de si mesma. Que valiosa lição masters of sex, transfigurada na figura de Libby Masters deixa para o público.

Porém isso não é tudo. Vacilei! Ao discutir o feminismo que já se vazia presente em 2005, muito antes dos termos feminismo de boutique e empoderamento feminino entrarem em voga, não consegui identificar as amarras que prendiam Libby. Aquela velha trinca, marido, filhos, família sabem? Nesse último episódio Libby tem um diálogo lindo com uma hippie a caminho do Woodstock. Ela fala sobre ressurreição, sobre como ela precisou morrer, ou melhor, matar a pessoa que ela era — a perfeita esposa amável, submissa, para tornar-se a pessoa que ela virou. Bravo Libby! É isso! Como a fênix você renasceu lindamente na série e sua nova personagem, desbravadora, aventureira cheia de nuances é tão linda e interessante.

E tudo bem se você encontrasse a felicidade no papel de dona de casa. Mas porque você quis assim e não porque a sociedade assim lhe impôs. Você não era chata, era um retrato com tintas ficcionais das primeiras mulheres que ensaiaram dar um grito de independências para que eu e as mulheres de hoje possamos ser livres em suas escolhas.

Veja bem Libby. Olha aonde nós chegamos e tristemente para onde podemos voltar. São tempos obscuros, com todo esse conservadorismo nos assombrando. Onde qualquer boçal grita aos quatro cantos que por conta da nossa roupa nós merecemos ser estupradas, porque ao usar roupa tal é certo que estávamos pedindo por isso, ou que se a mulher tomar a iniciativa ela é ainda é vista como vagaba ou ainda não termos controle do nosso corpo se decidirmos ou não termos um filho, ou que a cada dia a ditadura na magreza nos seja imposta nas araras nas lojas. Padrões e mais padrões gritam de todas as direções atrofiando novamente as mulheres que tanto você e Virginia lutaram cada qual a seu modo para deixarem livres.

Olha o quando você caminhou Libby da ficção e olha o quanto voltamos para trás na nossa triste realidade. Bravo Libby Masters que sabe de si, que não precisa de ninguém você era empoderada antes mesmo de estar na moda tão avant-garde. Olha só você. Vai voa, seja livre. Te encontro numa quinta temp se houver, mas você já me ensinou muito garota!

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