O monstro sou eu

Não me deixe arrancar suas entranhas, no fundo você não sabe a fome que tenho, bem no fundo, em mim, você não sabe o que ruminam meus dentes, você não sabe, então não me deixe arrancar seu coração, numa tentativa falha de ver tuas cores, não me deixa cometer esse erro de quebrar você pra ver como se constrói por dentro, não me deixe arrancar sua pele, pra ver as artérias latejando, não me deixe pintar com teu sangue na parede da sala, um quadro pra explicar a minha loucura. Não deixa eu abrir o seu peito, pra tentar me guardar atrás das suas costelas, não deixa eu arrancar seus olhos pra tentar ver como você enxerga, não deixa eu abrir seu estômago porque quero ter o que te alimenta, não deixa eu te matar, por favor, não deixa o monstro sentar no sofá, não deixa, por favor, não acredita nesse sorriso, eu vou sugar sua vida, não deixa essas lágrimas caírem tanto pra tentar cuidar da minha terra morta, porque no final quem vai secar é você, não deixa esse mar te encantar, porque ele vai te engolir, não se perde nesses olhos meus, eles são fortes e furiosos, embora pareçam fracos, eles vão te tragar, olha, ouve bem, depois disso não sobra nada, ninguém sai inteiro do abismo, ninguém muda a natureza de um monstro, não deixa eu matar você.

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