As palavras que falei no enterro do meu pai

Hoje ele faria 70 anos!

Perdas sempre temos e todos temos. Perder coisas e pessoa faz parte do jogo. O Chico Anysio no final da vida imitou o Ruben Alves e disse que não tinha medo da morte, tinha era pena. E é uma grande verdade, é uma pena perder morrer e é uma pena perder pessoas pra morte.

Há quase 2 anos perdi meu pai. Irreperável o sentimento de ser pai sem ter pai. Vejo na minha filha traços do meu pai, a nuca dela, com o cabelinho ralo ainda, se parece muito. Confesso que estes dias ela tava dormindo meio de bruços e meio de lado e com o jogo de luz do quarto eu vi meu pai, bem ali. Ele também dormia assim.

Hoje ele faria 70 anos! Acordei com aquela saudade que dói e relí o pequeno discurso que fiz no enterro dele. Republico hoje, com reverência:

"Quando eu era criança, aos seis, fui pra escola e descobri que me chamava Osmar. Não era assim que me chamavam em casa, todos me chamava de Júnior. Foi um chororô só! Não admitia ter sido registrado com um nome tão fora do usual. Sei lá, na minha cabeça de criança, chamar Osmar não era justo, era o nome de um adulto, era um nome velho e de velho era o nome do meu pai.

O tempo foi passando e quanto menos criança eu era, mais me chamavam de Osmar. Foi assim mesmo, os anos passavam e menos gente se lembrava de mim como Júnior. Me parece que isto foi emblemático. O Júnior foi sendo enterrado e o adulto Osmar foi chegando. E como crescer dói, né?

Teve um dia que eu precisei definir que tipo de homem eu gostaria de ser. Que tipo de gente eu gostaria de ser e como eu gostaria de ser lembrado. E então meu pai apareceu, reapereceu, me reencontrei com ele! Ser homem e gente como meu pai, isto é o que eu tento ser. Gostaria crescer e ser lembrado por um nome: Osmar. Se um dia eu for metade do que meu pai foi, já podem me chamar até de Osmar Guerra."

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