Por que nos sentir completos sozinhos?

Quantos de vocês já não viram, em algum momento, expressões tão fortes como “ame a si mesmo”, “viva por si próprio” e “relacione-se com seu eu interior”. Existe uma espécie de cultura do amor próprio que insiste em reafirmar, constantemente, que você é tudo tal como é o suficiente.

Sempre conversei com pessoas que se diziam ser completas, daquelas que, em sua própria liberdade, diziam-se satisfeitas consigo mesmo. Mas, nunca houve um momento em que eu conseguisse sentir tal plenitude. Embora eu tivesse meu amor próprio e reconhecesse as qualidades que sempre estiveram dentro de mim, nunca fui capaz de me sentir completo sozinho.

Mas, afinal, por qual motivo precisamos tanto nos sentir completos sozinhos? Em tentativas desesperadas de tentar compreender o que havia de tão errado, descobri que não havia nada de errado. Todo ser vivente desse planeta não foi projetado para estar sozinho, embora, constantemente, procuramos justificar a ausência afirmando que nós próprios somos o suficiente.

Quem tanto se vê como completo, na maioria das vezes, rejeita a sua própria solidão e encontra-se em uma incessante busca de não necessitar de ninguém, quando na verdade necessita mais que todos. E, quem tanto se vê como incompleto, na maioria das vezes, aceita sua própria solidão e encontra-se em uma incessante busca de alguém capaz de lhe preencher, que o leva a um mar de desilusões.

Acreditar que somos suficientes é como se trancar diante quatro paredes, é deixar de viver as experiências da vida que qualquer relacionamento possa proporcionar. Por mais completo que alguém possa sentir que está, sozinho está e não existe graça em não se compartilhar.

A solidão é como um câncer da alma, silenciosamente devora aos poucos, tornando o vazio existencial cada vez mais nítido até que seja tarde demais. Uma alma devorada pela solidão é uma alma que não encontra o sentido. Na maioria das vezes, a fuga em si próprio não trará satisfação. Não há melhor forma de preencher tal vazio do que com outra alma que faça sentido.

As pessoas procuram pensar em si mesmas por medo de ficarem sós, quando na verdade já estão sós. Mas, ninguém parou para dizer que a cura não é o amor próprio, mas o amor ao próximo. Não há problema nenhum em amar alguém, não há problema nenhum em viver com alguém, não há problema nenhum em se sentir só e não é a solução afirmar que o “eu interior” basta.

Não tenha medo, se afaste dos receios, você não precisa ser completo só. Busque alguém que lhe complete e com o amor a si próprio junto ao amor ao próximo, a plenitude baterá em cheio. Pois, afinal, vida só faz o verdadeiro sentido se for para ser compartilhada.